Adriano Pires desiste de assumir a presidência da Petrobras

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O economista Adriano Pires enviou uma carta ao Ministério de Minas e Energia nesta segunda-feira, 4, informando que desistiu de assumir a presidência da Petrobras. O seu nome havia sido indicado pelo Executivo na semana passada para substituir o general Joaquim Silva e Luna e precisava ser aprovado pela Assembleia-Geral dos acionistas, que ocorrerá no dia 13 de abril. No ofício, Pires alegou que a sua nomeação ao comando da estatal levaria ao conflito de interesses. O economista é fundador e sócio diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), consultoria do ramo de energia e que presta serviço para dezenas de empresas e instituições. O movimento ocorre após Rodolfo Landim desistir de assumir a presidência do conselho de direção da entidade. Em nota encaminhada ao Ministério de Minas e Energia no sábado, 2, ele justificou a recusa ao seu compromisso profissional como presidente do Flamengo.

Na sexta-feira, 1º, o Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) solicitou a abertura de uma investigação sobre a indicação. A intenção era apurar se haveria conflito de interesses. Pires chegou a ser indicado para o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) no fim de 2018, no fim do governo do então presidente Michel Temer (MDB). Na época, o TCU também abriu investigação para apurar conflito de interesses. O economista decidiu abrir mão do cargo.

“Ficou claro para mim que não poderia conciliar meu trabalho de consultor com o exercício da Presidência da Petrobras. Iniciei imediatamente os procedimentos para me desligar do Centro Brasileiro de Infraestrutura, consultoria que fundei há mais de 20 anos e hoje dirijo em sociedade com meu filho. Ao longo do processo, porém, percebi que infelizmente não tenho condições de fazê-lo em tão pouco tempo”, explicou Pires, na carta endereçada ao Ministério de Minas e Energia.

O economista havia sido indicado após semanas de atritos entre Silva e Luna e o presidente Jair Bolsonaro (PL) à política de reajuste de preços dos combustíveis. No dia 10 de março, a estatal anunciou a elevação dos preços nas refinarias da gasolina (18,8%), diesel (24,9%) e gás de cozinha (16,1%). O aumento ocorreu em meio à disparada do barril de petróleo do tipo Brent, usado como referência para a formulação dos preços, em reflexo das incertezas no mercado geradas pela guerra no Leste Europeu. O general da reserva do Exército assumiu o cargo no lugar de Roberto Castello Branco, demitido em fevereiro do ano passado também em meio uma crise aberta com o governo federal por reajustes nos combustíveis. Ele estava no comando da estatal desde 2019 por indicação do ministro da Economia, Paulo Guedes.

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