O boletim epidemiológico da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que monitora a situação da pandemia de Covid-19 no Brasil, apontou que o número de casos e mortes sofreu a maior queda desde o início de 2021, embora com níveis ainda considerados altos. O número de mortes caiu 3,8% ao dia na última semana, com uma média de 15,9 mil novos casos e 460 óbitos diários entre 5 e 11 de setembro. A taxa de ocupação de leitos de UTI está no melhor cenário desde que o indicador foi criado, com apenas o Rio de Janeiro tendo mais de 80% dos leitos ocupados (82%, no total), seguido por Boavista (76%) e Curitiba (64%).

O boletim divulgado pela Fiocruz aponta ainda que os Estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Goiás e o Distrito Federal ainda estão com taxas acima de cinco novos casos por 100 mil habitantes, que é considerada muito alta. Por isso, destacam que a pandemia ainda é motivo de preocupação, principalmente enquanto a vacinação avança de formas diferentes nas diversas regiões brasileiras. Quatro em cada dez municípios apresentam dificuldades em completar o esquema vacinal da população pelo não comparecimento na data definida nos postos de saúde para a aplicação da segunda dose, além de problemas de registro das doses aplicadas por parte de prefeituras e secretarias da saúde.

Com exceção de Roraima, os Estados vacinaram mais de 70% da população acima de 18 anos com ao menos uma dose do imunizante e pelo menos 30% da população com segunda dose ou dose única. Mato Grosso do Sul apresenta a menor diferença entre a primeira e a segunda doses aplicadas, com percentual de primeira dose de 90% e segunda superior a 66%. São Paulo apresenta o maior percentual de primeiras doses aplicadas, com 99% da população adulta com uma dose do imunizante e mais de 58% com a segunda. A situação de Roraima é considerada preocupante, com 68% da população vacinada com primeira dose e 23% com a segunda.

Apesar do avanço da vacinação e da queda no número de novas mortes pela Covid-19, a Fiocruz alerta que a porcentagem necessária de imunizados para impedir a circulação do vírus ainda não foi alcançada, por isso, medidas de distanciamento social ainda não necessárias. “A circulação da variante Delta é um agravante no cenário atual, principalmente porque, em alguns locais, o processo de reabertura se torna cada vez mais acelerado e menos criterioso”, escrevem os pesquisadores no boletim, ressaltando que a vacinação ainda desempenha um papel importante na queda no número de casos e óbitos.