Cotado como favorito para a final dos 400 metros com barreiras nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020, Alison Brendom dos Santos, conhecido como “Piu”, confirmou seu status e faturou a medalha de bronze na prova. O brasileiro de 21 anos fechou o percurso com tempo de 46s72, cravando sua melhor marca da carreira no começo da madrugada desta terça-feira, 3. Com isso, além de aumentar a quantidade de medalhas conquistadas pelo Brasil, Alison quebrou um jejum de 33 anos do país em provas individuais de velocidade do atletismo, sendo que a última havia sido conquistada por Robson Caetano nos 200 m rasos nos Jogos de Seul 1988. Mas afinal, quem é Alison “Piu”?

Nascido em São Joaquim da Barra, no interior de São Paulo, em 3 de junho de 2000, Alison carrega uma cicatriz de infância que alterou sua aparência até os dias de hoje. Quando tinha apenas 10 meses, o atual medalhista olímpico sofreu um acidente doméstico envolvendo uma panela de óleo quente, o que fez com que ele ficasse dois meses internado em uma unidade médica até receber alta. Mesmo tendo se recuperado, o acidente gerou uma falha no cabelo de Alison, que perdura até hoje. Outra coisa que o medalhista carrega desde criança é seu apelido, que foi dado pela semelhança física com outro atleta da cidade que se chamava Piu. Além de seu apelido, o atleta também é reconhecido pela sua personalidade e seu carisma. As reações do atleta após o final da prova fizeram com que ele caísse nas graças dos internautas, que também o apelidaram de “Malvadão”. No começo da manhã desta terça, o nome de Alison estava entre os assuntos mais comentados do Twitter, com aproximadamente 127 mil menções recentes.

Dentro das pistas, Piu viveu uma ascensão no atletismo ainda na adolescência. Suas primeiras competições entre adultos aconteceram quando tinha 16 anos e participava das provas de 400 m com barreira e 400 m rasos. Nos Jogos Pan-Americanos de Lima 2019, no Peru, o brasileiro conquistou o ouro, com tempo de 48s45. No Campeonato Mundial de Doha, no Catar, Alison conseguiu uma vaga na final, encerrando a prova na sétima posição com um tempo ainda melhor: 48s15. Mesmo com a pandemia, Piu seguiu evoluindo até alcançar novamente a marca da final do Mundial, que o colocou como postulante ao pódio nos Jogos de Tóquio. Um mês antes das olimpíadas, na Diamond League, Piu havia estabelecido sua nova melhor marca e novo recorde sul-americano: 47s34.Nas semifinais dos 400 m com barreiras na Olimpíada, Alison quebrou essa marca ao cravar 47s31, se poupando ao final da prova. Na final, a marca foi ultrapassada novamente, sendo que Piu, assim como os outros dois medalhistas, conseguiram superar o então recorde mundial, de 46s70, pertencente ao norueguês Karsten Warholm, vencedor do ouro.