No último trimestre a taxa de desemprego no Brasil ficou em 14,7%. Segundo o IBGE, já são 14,8 milhões de pessoas sem trabalho, maior número desde 2012. Mas, na contramão deste déficit, existe uma área que apresenta grande crescimento: a de tecnologia. Mesmo diante da ausência de mão de obra, o setor mostra que tem fôlego quando o assunto é oferta das vagas. Essa aceleração no mercado de trabalho se dá por conta da pandemia, como revela uma análise feita pela startup Flow em parceria com a Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (USP). No entanto, o professor da FEA, Sérgio Almeida, diz que esse cenário provoca uma inflação de salário. “O salário está aumentando, isso gera aumento de procura pela área. No curto prazo você vê que esse aumento na demanda, esse choque na demanda sendo absorvido por salário, porque o mercado não está conseguindo responder”, afirma. A absorção dessa mão de obra vem dos cursos de graduação nas diversas áreas de tecnologia, mas esse processo demanda tempo. Consequentemente, ingressar no mercado de trabalho não é uma ação imediata.

“Os cursos de tecnologia têm que aprender a se reinventar mais rápido. Não é só a oferta que é baixa, é a própria consistência do que é ensinado, por isso começaram a nascer cursos curtos de tecnologia, você tem aqueles cursos que a pessoa faz para aprender a programar e outras coisas”, diz Luiz Mariano, sócio-fundador da Flow. A perspectiva de que o setor continue atrativo pelos próximos anos é positiva. Certamente, as vagas em cursos técnicos e de graduação devem aumentar. O Diego Pisani, de 20 anos, não tem a preocupação de entrar no mercado de trabalho. Aos 7 anos ele aprendeu, sozinho, a fazer programação em computadores com um jogo. De uma brincadeira, nasceu o interesse pelo universo da informática. “Fui sendo autodidata, então costumava procurar no Google. Comecei pesquisando o mais básico: ‘como modificar tal coisa?’, então lia em um fórum. Encontrava uma coisa que não sabia e continuava pesquisando”, relata.

Hoje, além de atuar no setor de tecnologia, ele também dá aulas. Diego não fez uma faculdade na área e nem pretende, mas está sempre estudando e se atualizando. O programador acredita que o segredo para entrar nesse meio é o contato com outras pessoas. “Você consegue ingressar em um trabalho, seja por indicação ou por recomendação, independente disso, e ao mesmo tempo você tem que escolher as tecnologias que o mercado está procurando”, conta. Com a pandemia, o processo de digitalização do mercado ocorreu de forma acelerada. Para o setor tecnológico essa é mais uma porta de entrada para novos negócios. Um brasileiro, por exemplo, pode trabalhar de forma remota para uma empresa indiana. O professor Sérgio Almeida aconselha que as pessoas olhem para o setor com mais versatilidade, realizando cursos rápidos em várias áreas e se atentando às demandas do mercado porque as oportunidades no setor de tecnologia surgem constantemente.

*Com informações da repórter Camila Yunes