O iraniano Kamyar Abrarpour tinha apenas 1 ano quando emigrou para São Paulo com a família. Ele cresceu vendo os pais vender tapetes persas. “Era objeto de desejo nos anos 70, mas a importação foi proibida e a produção, massificada”, relembra. Em 1987, ele abriu a própria loja, By Kamy, com produção 100% brasileira.

Dez anos depois, Kamyar se apaixonou pela designer e arquiteta italiana Francesca Alzati em um evento de decoração. Ela passou a integrar o time da By Kamy visando a devolver às peças o valor de obra de arte. “Kamyar me levou ao Oriente e descobri que lá o tapete não é só uma forração. Eles comem, dormem, vivem em cima de tapetes”, conta. Feitos principalmente de lã, seda, algodão e fibras naturais, os tapetes, tapeçarias e arazzos são produzidos a mão por tecelões especializados. Os desenhos são criados pela própria Francesca ou em parceria com outros artistas, com tiragens limitadas e vendidos nas três lojas espalhadas pela capital.

O iraniano Kamyar Abrarpour e a italiana Francesca Alzati, criadores da loja de tapeçaria By KamyDivulgação/Divulgação

+Assine a Vejinha a partir de 8,90.

Neste mês, a marca foi escolhida para representar a tapeçaria brasileira no Salão do Móvel de Milão, na Itália. Entre os produtos que participaram do evento estão a nova coleção Fauna Mix (preço sob consulta), da artista Regina Silveira, e projeções das obras de Tarsila do Amaral (a partir de 30 000 reais). Francesca conta que a luz dos quadros de Tarsila é difícil de ser reproduzida na tecitura. Foram feitas três tiragens em tamanhos diferentes de vinte obras da pintora e cada peça levou de seis meses a um ano para ficar pronta. No lançamento da coleção, em abril de 2017, Tarsilinha (como é conhecida a sobrinha-neta da artista) disse que é a forma de ter a obra da modernista em casa. “Fiquei emocionada porque as peças têm o dobro do tamanho dos originais”, disse à época.

Estampa Fauna Mix Serpente, de Regina Silveira, para tapetes da By KamyDivulgação/Divulgação

+Assine a Vejinha a partir de 8,90.

Publicado em VEJA São Paulo de 15 de setembro de 2021, edição nº 2755