O evento, segundo o governador João Doria (PSDB), deve ocorrer no fim de semana de 06 e 07 de novembro. Ingressos do novo lote começam a ser vendidos no dia 27 de agosto. Impacto financeiro deve ser de R$ 670 milhões para a capital paulista, com a criação de aproximadamente 8 mil empregos temporários. Autódromo de Interlagos, na Zona Sul de SP
Reprodução/TV Globo
O governo de São Paulo anunciou nesta segunda-feira (16) que autorizou a realização do ‘Grande Prêmio SP de Fórmula 1’ para 100% do público na capital paulista, com exigência de apresentação do comprovante de vacinação contra a Covid-19. A gestão estadual não esclareceu, porém, se será obrigatório ter a vacinação completa ou apenas a primeira dose.
De acordo com o Vacinômetro, 91,7% dos adultos com mais de 18 anos foram imunizados com a primeira dose até esta segunda (16). Em relação à população total, o percentual é de 69%. A aplicação da segunda dose ou da dose única da vacina atingiu apenas 28,2% da população adulta. Para que a proteção seja eficaz, é necessário que o esquema vacinal esteja completo.
O evento, segundo o governador João Doria (PSDB), deve ocorrer no fim de semana de 06 e 07 de novembro, mas existe a possibilidade de que ele seja adiado para o final de semana seguinte, 12 e 13 de novembro, após pedido feito pelo governo paulista e a Prefeitura de SP para troca de data com o México.
Cerca de 40 mil tickets já foram vendidos para o evento. A venda do novo lote de entradas começa em 27 de agosto, segundo o governo paulista, e serão colocados pelo menos mais 20 mil tickets a venda, de acordo com o CEO e representante da Fórmula 1 em SP, Alan Adler.
“Sobre a data, o governador fez o pedido para ver se é possível estender por uma semana, a Formula 1 com certeza vai avaliar com todo o carinho. Sabe o apoio que está recebendo de SP”, afirmou Adler.
Normas sanitárias
Todos os participantes terão que usar máscara obrigatoriamente durante todo o tempo de permanência no Autódromo de Interlagos, com medição de temperatura na entrada. Ser
“Da nossa parte estamos muito otimistas para a realização de um grande evento e com segurança. A vacina, além de um passaporte para salvar a vida da pessoa e da coletividade, ela também é para poder participar dos eventos aqui na cidade São Paulo”, afirmou o prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB). 
A previsão do governo é a de que a realização da Fórmula 1 na cidade de São Paulo tenha impacto financeiro de R$ 670 milhões para a capital paulista, com a criação de aproximadamente 8 mil empregos temporários.
Vista aérea do autódromo de Interlagos, na Zona Sul de SP, onde é realizado o GP Brasil de Fórmula 1
Luis Moura/Estadão Conteúdo
Contrato do evento na Justiça
Em fevereiro deste ano, a Justiça de São Paulo condicionou a retomada do contrato da Prefeitura da capital para a realização do ‘Grande Prêmio de Fórmula 1’ na cidade à prestação de garantia de R$ 26 milhões por parte da empresa MC Brazil Motorsport Holding Ltda, contratada pela gestão municipal por R$ 100 milhões para a realização do evento nos próximos cinco anos.
O contrato foi suspenso pela Justiça em 12 de janeiro no mesmo processo, após o Rubens Nunes (Patriotas) alegar supostas fraudes no caso.
O acordo prevê que a prefeitura pague cerca de R$ 20 milhões por ano para que a cidade de São Paulo sedie o GP do Brasil, no Autódromo de Interlagos, até 2025.
Segundo o juiz, o valor do depósito prévio equivale aos R$ 20 milhões que a prefeitura irá pagar para a empresa já em março, acrescidos de 30% desse valor, para eventuais custos adicionais. Cabe recurso.
Alegações das partes
No processo, a gestão municipal alegou que o evento gera movimentação financeira para a economia da cidade, trazendo rendimentos a inúmeros setores e gerando arrecadação de impostos.
Já a MC Brazil Motorsport Holding Ltda informou que o autor da ação apresentou argumentos errados à Justiça, já que o contrato com a gestão municipal está sob sigilo.
Na decisão que condicionou a continuidade da preparação do GP de Interlagos a um depósito ou caução por parte da empresa, o magistrado afirmou que “causa verdadeiro espanto” que o capital da empresa que receberá tamanha quantia dos cofres públicos municipais seja de apenas R$ 120 e que ela tenha sede em outros países, entre eles um paraíso fiscal.
Segundo o juiz, a empresa MC Brazil Motorsport, beneficiada no contrato, é gerida “por três empresas estrangeiras estabelecidas no estado de Dalaware, sendo considerado um paraíso fiscal dentro dos EUA, e está recebendo dinheiro público – cem milhões de reais (!!!!) – da Prefeitura de São Paulo”. O magistrado acrescentou ainda que a empresa é indiretamente gerida por um fundo de investimentos sediado nos Emirados Árabes Unidos.
Migliano questionou o gasto em ano de pandemia, em que a gestão municipal deveria concentrar esforços no combate à Covid-19.
O magistrado entendeu ainda que não há transparência, até o momento, na divulgação dos gastos públicos com o evento, mas atendeu a um pedido da Prefeitura para que o contrato para a realização da F1 permaneça em sigilo, pois é confidencial.
Autódromo de Interlagos, na Zona Sul de SP, é cenário do GP Brasil de Fórmula 1
Luis Moura/Estadão Conteúdo
Histórico
A renovação do Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1 no Autódromo de Interlagos foi confirmada no final de 2020 pela Prefeitura de SP até o ano de 2025.
O Tribunal de Contas do Município, que pode ter acesso ao contrato sigiloso, informou à Justiça que abriu uma apuração sobre o negócio e que o relatório está em fase final de conclusão.

Disputa com Rio de Janeiro
Em 2020, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou que havia “99% de chance” de o Grande Prêmio de Fórmula 1 do Brasil ser sediado no Rio de Janeiro a partir de 2021. Bolsonaro disse que o evento passaria a ocorrer em um autódromo a ser construído em Deodoro, na Zona Norte da capital fluminense.
Um termo de cooperação chegou a ser assinado por Bolsonaro, o ex-governador Wilson Witzel e o então prefeito do Rio, Marcelo Crivella. No entanto, o projeto foi alvo de crítica de ambientalistas e as obras não tiveram início.
Em julho de 2020, a Fórmula 1 anunciou o cancelamento do Grande Prêmio do Brasil do ano passado devido à pandemia do coronavírus.
O evento seria realizado no dia 15 de novembro no Autódromo de Interlagos. Também foram cancelados os GPs que ocorreriam nos Estados Unidos, no México e no Canadá.
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