Piora foi puxada pelos indicadores da Grande SP, ABC e capital. Oficialmente, regiões seguem na fase verde do Plano SP desde 9 de outubro e deve permanecer assim até 30 de novembro, segundo o governo estadual. Avanço da pandemia em São Paulo preocupa especialistas
Os 39 municípios da Grande São Paulo estão oficialmente na fase verde do Plano São Paulo há 40 dias consecutivos. Mas, nesta semana, a região já apresenta indicadores da epidemia de Covid-19 compatíveis com a fase amarela, graças à piora da doença na capital, nos municípios do Grande ABC, que compõe a sub-região Grande SP Leste, e na sub-região Grande SP Norte.
O Plano São Paulo regulamenta os estágios da quarentena no estado. Na fase amarela, os comércios têm horário e capacidade máxima reduzida (leia mais sobre o Plano São Paulo).
Os dados foram calculados pela produção da TV Globo a partir das regras oficiais do Plano SP, depois que o governo estadual anunciou que a reclassificação seria congelada até dia 30 de novembro, após o segundo turno das eleições, na segunda-feira (18). Os resultados da análise desta reportagem não correspondem à classificação oficial do plano porque esta é definida pelo governo estadual em datas específicas.
Em entrevista à TV Globo, a secretária de Desenvolvimento Econômico do governo estadual, Patrícia Ellen, explicou, na tarde desta quarta-feira (18), que a decisão de só divulgar uma nova classificação oficial em 30 de novembro foi tomada para esperar a recuperação do atraso de notificação de casos e óbitos nos sistemas do Ministério da Saúde, que ficaram instáveis na semana passada.
Classificação congelada há 40 dias
A última classificação foi feita em 9 de outubro. Desde então, apenas uma atualização foi feita, em caráter excepcional, para fazer a região de Barretos avançar da fase laranja para a amarela. Desde 24 de outubro, nenhuma nova mudança foi feita.
Uma reclassificação havia sido prometida para a última segunda (16), no dia seguinte ao primeiro turno das eleições municipais. Mas o governo anunciou que ela seria adiada para 30 de novembro, dia seguinte ao segundo turno, alegando como motivo o problema de instabilidade no acesso aos sistemas do Ministério da Saúde, usados pelas prefeituras para notificar casos e óbitos.
Com isso, as regras oficiais de flexibilização da quarentena na Grande SP, que atualmente é considerada uma única regional de saúde, para efeitos de classificação do Plano SP, continuarão sendo as da fase verde, a menos rígida alcançada pela região até agora, pelo menos até 30 de novembro.
Médicos trabalham na recuperação de pacientes internados com coronavírus na UTI do hospital Emílio Ribas, região central de São Paulo, na manhã desta sexta-feira (14).
Bruno Rocha/Estadão Conteúdo
Segundo a secretária, se a reclassificação tivesse sido feita na segunda-feira, a Grande São Paulo permaneceria na fase verde até a próxima reclassificação, em dezembro. “Vimos que tinham pontos de alerta suficientes para tomarmos a decisão mais cautelosa, que foi postergar a reclassificação para daqui a 14 dias, tendo dados estáveis, tomar a decisão correta”, explicou ela.
“Se tivermos de fato uma manutenção desse estado de alerta, com crescimento de internações, a reclassificação vai ser uma reclassificação mais conservada, com aplicação de medidas mais restritivas de novo”, afirma Patrícia Ellen, secretária de Desenvolvimento Econômico do governo estadual .
A secretária de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo, Patricia Ellen, durante entrevista coletiva no Palácio dos Bandeirantes, zona sul da capital paulista
MISTER SHADOW/ASI/ESTADÃO CONTEÚDO
Situação por sub-região da Grande SP
As três sub-regiões que atualmente estão com indicadores incompatíveis com essa fase reúnem 15 milhões de habitantes, ou 72% da população total da região, segundo estimativas da Fundação Seade usadas nos cálculos oficiais do Plano SP.
No caso da capital, com 11,8 milhões de habitantes, o aumento no número de casos nos últimos 28 dias, e de internações por 100 mil habitantes nos últimos 14 dias fez com que os indicadores apontassem para um rebaixamento para a fase amarela desde terça-feira (17).
Já o Grande ABC está na pior situação da Região Metropolitana. A sub-região, que inclui os municípios de Mauá, Ribeirão Pires, Rio Grande da Serra, Santo André, São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul, não apresenta indicadores da fase verde desde 23 de outubro, ou seja, há 26 dias.
Desde o último sábado (14), os indicadores da região pioraram a ponto de apontarem para a fase laranja, situação que já se sustenta há cinco dias consecutivos. Além do aumento de casos acima da margem de erro, a região também apresentou aumento nas internações no período de 14 dias, na comparação com os 14 dias anteriores, e tem taxa de novas internações por 100 mil habitantes no período acima do limite de 44 (considerando a margem de erro). Essa combinação fez com que a Grande SP Sudeste ficasse com pontuação compatível com a fase laranja.
Já a Grande SP Norte conseguiu manter indicadores compatíveis com a fase verde até a terça. Nesta quarta (18), os dados do balanço estadual mostram que o aumento de casos dos últimos 28 dias, na comparação com os 28 dias anteriores, ficou acima da margem de tolerância para evitar uma queda no indicador para a fase amarela.
São cinco os municípios da Grande SP Norte: Caieiras, Cajamar, Francisco Morato, Franco da Rocha e Mairiporã. Juntos, eles reúnem mais de 600 mil habitantes.
Nas demais regiões, todos os indicadores são compatíveis com a fase verde do Plano SP.
Veja os indicadores atuais de cada uma das sub-regiões da Grande São Paulo:
Defasagem do Plano SP
Além da Grande São Paulo, outras oito das 17 regionais de saúde do estado apresentam hoje indicadores defasados em relação à classificação oficial do Plano SP.
Araraquara, Bauru, Franca, Marília, Presidente Prudente, Ribeirão Preto e São João da Boa Vista atualmente estão classificadas na fase amarela, mas apresentam atualmente indicadores compatíveis com a fase verde.
Já Araçatuba, Barretos, Registro e São José do Rio Preto são as únicas quatro regiões atualmente classificadas na fase amarela que de fato apresentam dados da epidemia de fase amarela.
E Campinas, Piracicaba, Sorocaba e Taubaté são as únicas quatro DRS do estado que conseguiram avançar para a fase verde em 9 de outubro e também conseguiram manter índices compatíveis com as regras às quais têm direito.
Já a Baixada Santista, desde sábado, apresenta indicadores compatíveis com a fase amarela, mas segue classificada na fase verde, assim como a Região Metropolitana da São Paulo. A região tem mais de 1,8 milhão de habitantes.
Na segunda-feira, a região já apresentava aumento de casos e a maior taxa de internações por 100 mil habitantes do estado. Nesta quarta (18), ela é a única DRS do estado com alta nos óbitos.
Adiamento da reclassificação
De acordo com Patrícia Ellen, se a reclassificação fosse feita na segunda, 90% da população do estado avançaria para a fase verde. No momento, porém, o governo estadual não considera confiáveis os dados de novos casos e mortes. “Da forma que recebemos os dados neste momento, essa resposta não é possível de ser dada. E é por isso que precisamos dos dados dos próximos 14 dias”, diz ela.
Já sobre o fato de a Grande São Paulo e a Baixada, que juntas somam mais da metade da população em todo o estado, estarem atualmente com regras da fase verde, mas indicadores da fase amarela, a secretária diz que, se a situação se mantiver “nos próximos dias”, elas devem sofrer novas medidas
“O que posso te garantir é: se os dados da Baixada de hoje que você tem, ou da Grande São Paulo de hoje, se mantiverem nessa foto nos próximos dias, nós vamos sim tomar medidas mais restritivas.”
Aumento de internações
Quarentena é prorrogada até 16 de dezembro em SP após aumento de internações
O governo estadual admitiu nesta segunda-feira (16) que ocorre um aumento nas internações por Covid-19 no estado. Na última semana epidemiológica, que vai do dia 8 ao dia 14 de novembro, as internações de casos suspeitos e confirmados da doença cresceram 18% em relação à semana anterior: a média diária das novas internações subiu de 859 para 1.009.
O Plano São Paulo, que regulamenta os estágios da quarentena nas diversas regiões do estado, estabelecendo medidas mais duras ou leves de acordo com os indicadores de saúde de cada local, não será atualizado nesta semana. Segundo o governo, a mudança não será feita por conta da falha nos dados do Ministério da Saúde que impactou os dados de mortes por Covid-19 em SP na última semana. São esses indicadores que determinam as fases da quarentena em cada região.
Homem internado em hospital de São Paulo em meio à pandemia do coronavírus
Reuters/Amanda Perobelli
Segundo o secretário de saúde estadual, Jean Gorinchteyn, se os indicadores de saúde continuarem a crescer, medidas mais restritivas na quarentena poderão ser adotadas.
“Se nós tivermos índices aumentados, seguramente, medidas muito mais austeras e restritivas serão realizadas no sentido de continuarmos a garantir vidas. É assim que o faremos”, afirma Jean.
Já o governador João Doria (PSDB), afirma que a reclassificação da quarentena foi adiada por “cautela”.
“A falta de informações sobre casos e óbitos durante 6 dias da semana passada, causada por uma pane no sistema do ministério da saúde […] afetou a normalização dos dados em todo o Brasil, e aqui em São Paulo em especial. Por esta razão estamos adiando a atualização do Plano São Paulo para o dia 30 de novembro. É uma medida de cautela e que demonstra a nossa responsabilidade em não alterar a qualificação dos estados sem ter todos os indicadores disponíveis”, diz Doria.
VÍDEOS: Tudo sobre São Paulo e região metropolitana
Initial plugin text