Estudante foi chamado pela Universidade Federal da Fronteira Sul após ficar na fila de espera do terceiro vestibular por quatro meses. Abisai Telles morava em Itaquaquecetuba e se mudou para o Rio Grande do Sul nesta semana. Estudante passa em federal de medicina e cita métodos para bons resultados no vestibular
Depois de estudar em escola pública do ensino fundamental ao médio e de muita dedicação nas salas de aula e em casa, Abisai Sousa Telles, de 21 anos, tem muitos motivos para comemorar. Em agosto, o estudante de Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo, conquistou a sonhada vaga no curso de medicina da Universidade Federal Fronteira do Sul (UFFS), em Passo Fundo, no Rio Grande do Sul.
Abisai credita a conquista aos três anos de cursinho, às 12 horas de estudo por dia e à fé. De uma família de classe média baixa, o estudante diz que não tinha dinheiro para investir em um pré-vestibular específico de medicina e os pais chegaram a fazer um empréstimo.
‘No ano de 2018 eu consegui uma pequena bolsa num curso em São Paulo. Mesmo assim não estava no alcance dos meus pais’, comenta.
O desconto inicial era de 10%, mas ao conhecer a situação financeira e o histórico de notas de Abisai, a diretoria do curso aumentou o índice para 50%.
Abisai na Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS)
Abisai Sousa/Arquivo pessoal
O pré-vestibular ficava na Vila Mariana, em São Paulo, e a rotina começou a ficar pesada. Abisai acordava 4h30, para chegar às 7h à aula. Além do trajeto de ida ser cansativo, ainda enfrentava a condução lotada na volta.
“Muitas das vezes chegava em casa 22h, tendo tempo apenas de comer, tomar banho e descansar para o próximo dia”, completa.
No cursinho, o estudante percebeu rápido que o pré-vestibular era voltado para aqueles que vieram de escolas particulares e já tinham uma base forte. Abisai lembra de ir para a casa desanimado no fim do dia por não conseguir absorver o conteúdo.
Abisai em sua festa de comemoração após aprovação na faculdade de medicina
Abisai Sousa/Arquivo pessoal
Apesar de todo o esforço, o estudante não passou no primeiro vestibular. Antes do segundo, mudou a estratégia e se matriculou num cursinho on-line para economizar e preservar tanto a saúde física quanto a mental.
‘O resultado foi que eu não consegui ter o foco necessário, e a plataforma que eu escolhi não me oferecia atenção suficiente para avançar nos estudos. Acabou que, ao invés da minha nota evoluir, ela ficou praticamente estagnada, aliás, regrediu um pouco.’
No segundo vestibular, mais uma vez o resultado esperado não foi alcançado. Na tentativa de melhorar o desempenho, após o segundo vestibular Abisai retomou o ensino presencial em um cursinho em Mogi das Cruzes, onde diz ter encontrado a estrutura que precisava.
“Comecei a estudar com um empenho que nunca tinha estudado antes. Comecei a acreditar mais em alcançar uma nota que ao menos disputasse por uma vaga.”, relata.
Abisai (último da segunda fileira da direita para a esquerda) com os seus colegas do cursinho de 2019
Abisai Sousa/Arquivo pessoal
O estudante relata que o ambiente era leve e que gostava do fato de estar rodeado de pessoas com o mesmo foco e objetivo. Após as aulas, a direção estimulava a criação de grupo de estudos, o que ajudava a criar um ambiente com mais cooperação entre os alunos.
‘As pessoas sempre me deram total apoio e me transmitiam confiança para prosseguir. Nos cursinhos, quando eu não conseguia terminar a atividade diária, eu ficava um pouco abatido e me trazia certo desânimo, mas sempre me animavam novamente.’
Porém, em março de 2020, uma nova dificuldade: a pandemia. Abisai se viu obrigado a retomar o ensino on-line, formato que não tinha funcionado antes. Desta vez, porém, o estudante disse que teve mais suporte dos profissionais do cursinho, inclusive no aspecto psicológico.
“Só não desisti de prosseguir porque nesses momentos o diretor me mandava mensagens dando uma ajuda”, comenta.
Abisai junto de seus colegas em vídeo-chamada do cursinho
Abisai Sousa/Arquivo pessoal
De família evangélica, Abisai diz que durante todas as etapas do processo de estudo conversava com Deus e pedia em suas orações uma resposta.
O desempenho no vestibular de 2020 foi melhor do que nos dois anteriores. A nota não garantiu de imediato a aprovação, mas foi suficiente para a fila de espera. O jovem diz que foram quatro meses dramáticos e cinco listas de aprovados até chegar a notícia de que tinha conquistado a vaga que tanto sonhava.
Por conta do curso integral de medicina, Abisai ainda volta para casa às 22h, em alguns dias da semana, mas com uma sensação de dever cumprido. O futuro médico conta que tem apoio financeiro de familiares e da universidade para se estabelecer no Rio Grande do Sul.
“Estou me sentindo muito bem graças à boa recepção que recebi dos meus colegas, e com muita expectativa de aprendizado tanto na área fisiológica quanto no quesito social”, completa.
*Sob a supervisão de Fernanda Lourenço
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