Candidatos caminharam ao lado de multidão no Centro de SP. Além do PT e PCdoB, PSOL afirma que costura outras alianças para o 2° turno. Sobre os ataques recebidos do ex-deputado Ricardo Tripoli, que gerou pedido de desculpas de Bruno Covas (PSDB), Boulos disse que prefere “não comentar pela baixeza, pelo desrespeito que foi a postura do Tripoli”. Boulos faz caminhada no Centro com Orlando Silva e Tatto, de partidos rivais no 1º turno
Marina Pinhoni/G1
O candidato do PSOL à prefeitura de São Paulo, Guilherme Boulos, afirmou nesta quarta-feira (18) que se orgulha dos apoios que conseguiu do PT e do PCdoB na disputa do segundo turno contra Bruno Covas (PSDB).
Boulos fez uma caminhada no Centro da capital ao lado dos candidatos derrotados no primeiro turno Jilmar Tatto (PT) e Orlando Silva (PCdoB).
“É com muito orgulho que a gente faz a primeira atividade de rua recebendo o apoio de dois candidatos que foram muito dignos e corretos no primeiro turno, que tiveram a compreensão que estamos em uma batalha em São Paulo que é contra o atraso, que é pela democracia e contra a desigualdade social”, disse Boulos.
O candidato também comentou sobre o apoio que o adversário dele, Bruno Covas (PSDB) recebeu de Celso Russommano (Republicanos).
“Não foi nenhuma surpresa. O apoio do Russomanno ao Bruno Covas é a nova versão do ‘BolsoDoria’. Essa aliança que estava um pouco separada por razões eleitorais se refez. Bruno Covas é João Doria e Russomanno é Bolsonaro”, disse.
Boulos, Tattto e Orlando Silva discursam no Centro de SP
Marina Pinhoni/G1
Boulos voltou a afirmar que Covas “esconde” o apoio político do governador João Doria (PSDB), que tem avaliação negativa na cidade segundo pesquisas Ibope e Datafolha. 
Sobre outros apoios para sua campanha, Boulos afirmou que ainda estão sendo discutidos. 
“Estamos em conversas tanto com o PDT quanto com o PSB. Essas conversas estão sendo conduzidas pela coordenação da nossa campanha e pela direção do PSOL. Estou muito otimista que a gente tenha essas declaração de apoio nas próximas horas”.
Questionado se há espaço para Márcio França (PSB) em sua aliança, Boulous disse que sim.
“Claro que tem espaço. Tem espaço para todo mundo que quer uma cidade que seja referência democrática contra o atraso do bolsonarismo e que seja referência social contra o elitismo dos tucano.”
Em discurso, Boulos se comprometeu a incorporar em seu programa as pautas de Orlando Silva e Jilmar Tatto para a criação de empregos, combate ao racismo e incentivo à cultura.
Pedido de desculpas 
O candidato do PSOL também comentou as ofensas feitas pelo tucano aliado de Covas, Ricardo Tripoli, contra ele e sobre o pedido de desculpas do prefeito. 
Em agenda de campanha no Sindicato dos Aposentados (Sindnap) na terça-feira (17), Tripoli afirmou que Boulos “mata a mãe para poder ir ao baile de órfãos.”
Em nota divulgada durante a tarde, o prefeito afirmou que considera inaceitável e desrespeitosa” a declaração e pediu desculpas pela atitude do aliado. 
“Ele não me ligou, ele mandou uma mensagem se desculpando. Mas uma coisa que me deixou surpreso no inicio desse segundo turno é a raiva do Bruno Covas. O discurso que ele deu, já logo após a apuração, me atacando, com ofensas, com insinuações. Eu acho que ele estava de salto alto. Achou que a eleição tava ganha, quando viu que a gente teve mais de 1 milhão de votos e que ele passou muito longe de ganhar no primeiro turno, bateu um certo desespero. Esse caso do Tripoli não foi um caso isolado prefiro não comentar pela baixeza, pelo desrespeito que foi a postura do Tripoli”, disse Boulos.
Multidão em caminhada de Boulos, Tattto e Orlando Silva
Marina Pinhoni/G1
Aglomeração na pandemia
Nesta terça-feira (17), Boulos criticou a decisão do governo estadual de adiar a reclassificação do Plano São Paulo, que define as regras da quarentena contra o coronavírus, para o dia seguinte ao resultado do 2° turno. 
Segundo o governo, a mudança não será feita por conta da falha nos dados do Ministério da Saúde que impactou os dados casos e  mortes por Covid-19 em SP na última semana. A gestão João Doria admitiu que houve aumento das internações hospitalares pela doença.
Questionado pelo G1 se não seria incoerência criticar o governo na condução do enfrentamento da pandemia no momento em que algumas agendas de sua campanha têm provocado aglomerações, Boulos afirmou que as situações não são comparáveis. 
“Acho que você não pode colocar as coisas no mesmo patamar. Elas são muito diferentes. Nós temos gente que está com a caneta na mão, que deveria estar coordenado o combate ao coronavírus em São Paulo e que está sonegando dados para a população. Isso é um escândalo. E vai liberar os dados para a população um dia depois da eleição? É um uso eleitoral da pandemia, não alertar para as pessoas a situação que tem para ganhar uma eleição? É esse o vale-tudo que eles querem fazer?”, questionou.
Nesta quarta (18), mesmo com avisos da campanha para que as pessoas mantivessem o distanciamento, uma aglomeração se formou para acompanhar o candidato na caminhada do Largo do São Bento até o Viaduto do Chá. 
“As nossas agendas nós temos tomado os cuidados sanitários. Tem equipe com álcool gel, tem equipe orientando o distanciamento. A gente não tem feito uma convocação ampla em redes sociais para as agendas, quem tem vindo é a militância. Temos tomado todos os cuidados e buscando evitar as aglomerações”, disse Boulos. 
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