Medida ocorre após anúncio do governador de São Paulo de decreto para que não ocorra desmobilização de UTIs diante de aumento de casos e internações no Estado. Balanço desta quinta (19) aponta que taxa de ocupação na cidade é de 56,5%. Leitos do Hospital Metropolitano, contratado pela prefeitura de Campinas (SP)
Fernanda Sunega/Prefeitura de Campinas
No dia em que o governador de São Paulo anunciou um decreto para que hospitais não desmobilizem leitos criados para atender pacientes com Covid-19 e suspendam cirurgias eletivas, diante do aumento de casos e internações pela doença em todo o estado, Campinas (SP) deixou de usar as vagas de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e de enfermaria clínica contratadas junto ao Hospital Metropolitano.
Apesar disso, a Secretaria de Saúde informa que de maneira geral, leitos do SUS Municipal “não foram desativados e podem ser revertidos”, e que assim como ocorre desde o início da pandemia, “todos os pacientes terão o atendimento garantido”.
Bloqueio no Metropolitano
Em nota, a prefeitura informa que o bloqueio ocorre por cautela, uma vez que precisou fazer o pagamento dos serviços via depósito judicial e, sem garantias que o Hospital Metropolitano possa arcar com o atendimento sem o dinheiro, decidiu por não enviar mais pacientes à unidade e transferir aqueles que lá estavam.
Integrado à rede municipal de saúde em junho, como reforço no tratamento de pacientes com Covid-19 em Campinas, o uso do Hospital Metropolitano foi possível após liminar garantir que o repasse de verbas da prefeitura fosse utilizado para realização dos serviços, e não o pagamento de dívidas trabalhistas da unidade hospitalar.
Um despacho da prefeitura desta terça-feira (17), no entanto, informava à Coordenadoria de Regulação o bloqueio de leitos disponíveis no Metropolitano, impedindo novas internações e cancelando transferências na qual o paciente ainda não havia deixado a unidade de origem.
O informe aponta que naquela data, 13 pacientes permaneciam internados na Enfermaria Clínica Covid-19 e outros cinco em UTIs exclusivas para o tratamento do novo coronavírus.
Em nota, a Prefeitura informa que cumpriu uma determinação judicial para que o valor do contrato com a unidade fosse depositado em juízo e, por cautela, a Secretaria de Saúde fez o bloqueio dos leitos pelo receio de que a unidade não possa mais arcar com o contrato após o pagamento em juízo.
Veja a nota na íntegra:
“A Prefeitura Municipal de Campinas informa que, em relação ao Hospital Metropolitano, está cumprindo uma decisão da Justiça do Trabalho para que seja depositado em juízo o valor do contrato com a unidade.
O bloqueio de leitos e transferência dos pacientes – que teve início na quarta-feira, dia 18 de novembro – se deu por cautela da Secretaria Municipal de Saúde em razão da possibilidade de que o Hospital Metropolitano não possa mais arcar com o contrato após o pagamento em juízo.
Ontem foram transferidos 14 pacientes para leitos na Casa de Saúde e Hospital Ouro Verde. Outros quatro pacientes ainda estão no Hospital Metropolitano e serão encaminhados hoje para outras unidades.”
Leito de UTI em hospital de Campinas ocupado com paciente em tratamento da Covid-19 em junho deste ano
Reprodução/TV Globo
Taxa de ocupação
Apesar de o bloqueio ter iniciado na quarta (18), o boletim divulgado nesta quinta (19) ainda contabiliza as vagas do Metropolitano. Segundo a prefeitura, isso ocorre porque as vagas “ainda estavam no processo de transição quando alimentaram os dados.”
O boletim mostra taxa de ocupação de 56,5% dos leitos exclusivos de UTI para pacientes com o novo coronavírus. De acordo com a prefeitura, 99 das 175 estruturas disponíveis nas unidades públicas e particulares da metrópole estão preenchidas, enquanto 76 estão livres.
Ocupação de leitos nesta quinta-feira:
SUS Municipal: são 73 leitos, dos quais 38 estão ocupados (52%) e há 35 livres;
SUS Estadual (HC da Unicamp): há 30 leitos, sendo 8 preenchidos (26,6%) e 22 vagos;
Particular: total é de 72 leitos, distribuídos entre 53 ocupados (73,6%) e 19 sem uso.
‘Reversão de leitos’
Questionada sobre as medidas anunciadas pelo governador João Doria, a prefeitura de Campinas, por meio de nota, informou que a Secretaria de Saúde aguarda a publicação do decreto.
De acordo com a administração, os leitos de UTI do SUS Municipal exclusivos Covid-19, que chegaram a 155 entre julho e setembro e atualmente são 73, “não foram desativados e a reversão pode ser feita a qualquer momento, de acordo com a necessidade”.
“Importante ressaltar que no âmbito do SUS Municipal os leitos não foram desativados e a reversão pode ser feita a qualquer momento, de acordo com a necessidade. Assim como vem acontecendo desde o começo da pandemia, todos os pacientes terão o atendimento garantido”, diz a pasta.
HC da Unicamp
Reprodução/EPTV
HC da Unicamp
Com a desativação do Ambulatório Médico de Especialidades (AME) como unidade Covid-19, em outubro, o Hospital de Clínicas (HC) da Unicamp é o único vinculado ao estado com leitos para pacientes com o novo coronavírus na cidade, sendo referência para toda a região.
O HC da Unicamp que chegou a funcionar com 63 leitos de UTI exclusivos Covid-19 no ápice da pandemia, opera atualmente com 30 vagas, sendo que 22 estão livres segundo o balanço da prefeitura
“O HC da Unicamp manteve funcionando 63 leitos UTI exclusivo COVID. Desses 63, 37 foram credenciados e pagos pelo Ministério da Saúde e Secretaria de estado da saúde. Vigoraram de 10 de maio até 28 outubro. O custeio cobriu insumos, medicamentos e RH. Hoje o HC tem dois pacientes Covid intubados em nossa UTI Normal na área de isolamento. O hospital já preparou o documento para pedir novo credenciamento”, informa, em nota, a assessoria da unidade.
O G1 pediu informações relacionadas ao anúncio do governador, que incluía o cancelamento de cirurgias eletivas, mas a assessoria informou apenas que as questões serão tratadas em uma entrevista coletiva nesta sexta-feira (20).
Casos de Covid-19
Subiu para 1.351 o número de moradores de Campinas (SP) que morreram após complicações causadas pela Covid-19. O balanço epidemiológico divulgado pela prefeitura nesta quinta aponta dois novos registros de óbitos e mais 273 infectados, elevando para 40.981 os casos positivos.
Os novos casos contabilizados pelo governo municipal não significam, necessariamente, que ocorreram de um dia para o outro, mas sim que foram registrados no sistema no intervalo de 24 horas, após resultados de exames.
Formas erradas e corretas de usar máscara de proteção contra o coronavírus
Arte/G1
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