Dados obtidos pelo G1 junto ao Centro de Tratamento de Queimados (CTQ) retratam realidade entre os meses de julho a outubro de 2020, com 23 registros. Primeiro quadrimestre da quarentena, de março a junho, teve 31. Total na pandemia foi de 54 internações, 45,9% a mais que em 2019. Uso de álcool 70% durante pandemia do coronavirus aumenta ocorrências de queimaduras
Reprodução/TV Gazeta
O Centro de Tratamento de Queimados (CTQ) de Campinas (SP) registrou queda de 25,8% no número de internações de pessoas que sofreram queimaduras por causa do uso de álcool. O dado se refere ao segundo quadrimestre da quarentena para conter o avanço da Covid-19. De março a outubro, no entanto, essas internações aumentaram 45,9% em relação ao mesmo período de 2019.
Foram 23 registros de pacientes entre julho e outubro, contra 31 de março a junho. Ao longo dos oito meses de restrições, a conta foi de 54 internados com queimaduras graves, ante 37 no ano passado. Veja a evolução no gráfico abaixo:
O levantamento foi feito pelo CTQ a pedido do G1. Coordenador do Centro e médico cirurgião plástico, Flávio Nadruz Novaes afirma que os acidentes têm ocorrido mais quando o álcool – seja em gel ou líquido – é usado em churrasqueiras, tachos e de maneira geral na cozinha. Homens são a maioria das vítimas.
Em relação ao total de internações desde março no CTQ, foram 108 ocorrências, sendo 50% referentes a álcool. Em 2019, no mesmo período, 115 pessoas com queimaduras graves foram internadas, mas 32,1% tinham o álcool como causa. Veja os detalhes mês a mês no gráfico abaixo:
O segundo quadrimestre da quarentena foi marcado pelo início da flexibilização da pandemia, com reabertura de comércios, escolas e serviços em geral, reduzindo o número de pessoas em isolamento doméstico preventivo.
Independentemente disso, ao longo de toda a pandemia, se tornou rotina higienizar as compras do supermercado, por exemplo, com álcool. A substância ficou mais presente nas cozinhas.
“O álcool 70% é perigoso, é semelhante ao combustível. […] Em algumas situações, as pessoas improvisam álcool pra cozinhar no lugar do gás. O álcool tem uma chama praticamente invisível. Tivemos casos de pessoas que colocam álcool pra aquecer uma comida, às vezes reabastecem o recipiente e têm uma tragédia.”, disse o cirurgião plástico ao G1 em agosto.
O álcool líquido a 70% teve a fabricação e a venda autorizadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no início da pandemia, por ser uma das medidas de higiene necessárias para evitar o contágio pelo novo coronavírus,.
Álcool em gel e sabão são usados na prevenção à transmissão do novo coronavírus
Igor Jácome/G1
Centro de alta complexidade
O Centro de Tratamento de Queimaduras fica localizado no Hospital Irmandade de Misericórdia de Campinas e atendeu a 684 pacientes desde o início das atividades, em 8 de julho de 2016. São pessoas que sofreram queimaduras com álcool, líquidos quentes e produtos químicos da metrópole e mais 50 cidades do interior do estado.
O Centro, que é de alta complexidade, recebe pacientes de casos graves, sendo que 85% deles vêm encaminhados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). São 12 leitos, sendo dez do Sistema Único de Saúde (SUS) e dois para convênio médico. Em média, um paciente fica ao menos 30 dias ocupando as vagas, mas há casos de alta complexidade que chegam a levar 90 dias até a alta médica.
“A unidade também possui um trabalho formativo com alunos da graduação, residentes e várias atividades de ensino. Realiza ainda ações de prevenção em instituições de ensino e é um dos 12 unidades do Brasil a participarem do Serviço Nacional de Transplantes.”, informou a prefeitura.
Veja mais notícias da região no G1 Campinas