Declaração do prefeito contraria relatos de médicos e de familiares que não conseguem vaga para internar pacientes com diagnóstico de Covid-19 na capital paulista. Funcionários do hospital Igesp, na Bela Vista, região central de São Paulo, atendem paciente internado com coronavírus (Covid-19)
Divulgação/Igesp
O prefeito Bruno Covas (PSDB) e candidato à reeleição disse na manhã desta quinta-feira (19) que não existe segunda onda de coronavírus e que a pandemia está estável na cidade de São Paulo.
“Hoje nós teremos uma coletiva na prefeitura mostrando exatamente a estabilidade da pandemia na cidade de São Paulo”, afirmou durante agenda de campanha eleitoral na Zona Leste de São Paulo.
“Não há segunda onda na cidade e há uma estabilidade da pandemia”, declarou após ser questionado por jornalistas. Covas disse que vai detalhar os dados durante coletiva de imprensa sobre medidas de combate ao coronavírus nesta manhã na Prefeitura de São Paulo, acompanhado dos secretários da Saúde, Edson Aparecido, e da Educação, Bruno Caetano.
A declaração do prefeito contraria relatos ouvidos pelo G1 nesta quarta (18) que mostram o aumento no número de internações por coronavírus seria o responsável pela lotação na rede privada na cidade. Pacientes da capital paulista estão enfrentando dificuldades para conseguir vaga em leitos de UTI de hospitais da rede particular de São Paulo.
Até quarta-feira (18), a cidade de São Paulo tinha 14.066 óbitos por Covid-19 e 387.228 casos confirmados da doença, segundo a Secretaria Municipal da Saúde.
Lotação
Familiares de pacientes ouvidos pela reportagem afirmam que não conseguiram leitos nesta quarta-feira (18) em ao menos três grandes hospitais da cidade: Albert Einstein, Sírio-Libanês e São Luiz.
O problema afeta tanto pacientes com suspeita ou diagnóstico de Covid-19 quanto de outras doenças.
Em nota, o Hospital Israelita Albert Einstein não confirmou a falta de vagas, mas disse que no momento “há 91 leitos ocupados por pacientes com diagnóstico confirmado para a Covid-19” e que “da última semana de setembro ao dia 12 de novembro, a média de internações oscilou entre 50 e 55 pacientes com o novo coronavírus”.
Médicos que atuam na rede particular e municipal de São Paulo também confirmam ao G1 a saturação dos sistemas particular e público. Um dos profissionais ouvidos pela reportagem revelou que nesta terça-feira (17), em seis horas de plantão em um hospital particular na Zona Oeste, atendeu ao menos 25 pacientes com suspeita ou confirmação de Covid-19.
Além da escassez de vagas, os funcionários dos hospitais privados estão sendo orientados a redobrar os critérios para liberação dos poucos leitos que ainda restam, principalmente de UTI.
O aumento de internações também ocorre em outros hospitais particulares da cidade. O Hospital 9 de julho, localizado na região central de São Paulo, informou, por meio de nota, que “após a estabilização no número de casos entre os meses de maio a outubro, nos primeiros 17 dias de novembro foi registrado um aumento de cerca de 30% nas internações de pacientes com Covid-19”.
O Hospital São Camilo informou que “atualmente, a taxa de ocupação dos leitos de UTI por Covid-19 na Rede é de cerca de 86%.”
O Hospital Alemão Oswaldo Cruz disse que “registrou alta no número de casos de Covid-19 tratados pela Instituição, frente ao patamar de outubro” e “a maior procura de vagas por pacientes de outros estados”. No entanto, o hospital não informação a ocupação dos leitos e disse que os dados são repassados exclusivamente às secretarias de saúde do Estado e do Município.
O Hospital Beneficência Portuguesa também informou que verificou um aumento na demanda por internações devido a Covid-19 nos últimos 14 dias.
Internações
Na segunda-feira (16), o governo de São Paulo admitiu que ocorre um aumento nas internações por Covid-19 no estado.
Na última semana epidemiológica, que vai do dia 8 ao dia 14 de novembro, as internações de casos suspeitos e confirmados da doença cresceram 18% em relação à semana anterior: a média diária das novas internações subiu de 859 para 1.009.
Segundo o secretário de saúde estadual, Jean Gorinchteyn, se os indicadores de saúde continuarem a crescer, medidas mais restritivas na quarentena poderão ser adotadas.
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