Levantamento considera dados dos 31 municípios da área de cobertura do G1 Campinas. Metrópole reúne 37,8% do total de mortes registradas desde o início da pandemia. Sepultamento de vítima da Covid-19, em Campinas
Osvaldo Furiatto
A região de Campinas (SP) atingiu a marca de 11 mil vidas perdidas para a Covid-19, na noite desta terça-feira (10), após contabilizar pelo menos 1 mil mortes em 36 dias. A marca ocorre 500 dias após a metrópole divulgar o primeiro óbito entre as 31 cidades da área de cobertura do G1 Campinas.
Neste período avaliado, os casos confirmados da doença aumentaram 12,2% e chegam a 380,1 mil.
Até 19h30, a região somava 11.001 óbitos decorrentes de complicações da enfermidade. Os registros ocorrem em meio às regras do Plano SP que permitem funcionamento dos estabelecimentos até meia-noite e com até 80% de público. A partir de 17 de agosto, estes limites serão extintos.
Para o médico infectologista e professor da Faculdade de Medicina da PUC-Campinas André Giglio Bueno, entretanto, o momento ainda exige cautela. Veja abaixo análise.
Campinas (SP) divulgou 4.168 mortes por Covid-19 até esta publicação, o equivalente a 37,8% do total.
Depois da metrópole, os outros quatro municípios mais populosas da região são os que têm mais vítimas: Sumaré (SP), Americana (SP), Indaiatuba (SP) e Hortolândia (SP). Em contrapartida, Pedra Bela (SP), com 12 óbitos e população estimada em 6,1 mil moradores, tem a menor quantidade.
Morungaba (SP) foi a única, entre as 31 cidades, que não teve novas mortes nos últimos 36 dias.
Leia mais sobre casos e óbitos em cada município
Acompanhe a evolução da vacinação na região de Campinas
Momento de cautela
O médico infectologista André Giglio destaca que o cenário atual é mais positivo do que em momentos anteriores, ao avaliar indicadores, mas ele se opõe às medidas do poder público que retiram os limites de circulação e público, e sobre discussões para retomada de eventos com público.
Segundo ele, a disseminação da variante delta da Covid-19 ainda é um fator preocupante.
“A grande preocupação é se ela eventualmente substituir a variante dominante, atualmente a gama, e o que a gente viu em outros países, quando ocorre, o cenário é bastante trágico com aumento expressivo de casos, aumento de internações, óbitos, e a gravidade da situação é tão maior quanto for menor a cobertura vacinal, com duas doses […] Minha esperança é de que as medidas sejam revisadas”, ressalta o especialista.
O avanço da variante delta pelo mundo já provocou o endurecimento das restrições sanitárias em diversos países. Segundo documentos dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), a variante Delta do coronavírus é tão contagiosa quanto a catapora, e provavelmente provoca sintomas mais sérios do que as variantes anteriores.
A variante delta da Covid-19 já corresponde a 23% dos casos na Grande São Paulo, segundo o Instituto Adolfo Lutz. Até esta publicação, nenhum caso foi divulgado pelas prefeituras da região de Campinas.
Na semana passada, o governo de São Paulo anunciou que, a partir do dia 17, eventos sociais, museus e feiras corporativas, com controle de público, estarão liberados no estado, desde que não gerem aglomerações e que sigam os protocolos de saúde e higiene. Shows com público em pé, torcidas e pistas de danças continuam proibidos até 1º de novembro, quando 90% dos adultos devem ter sido completamente vacinados. Nesta data, segundo o governo, todos os eventos estarão liberados.
Vacinação
A campanha de vacinação contra a Covid-19 já imunizou totalmente apenas 24,36% da população da região com dose única ou duas doses necessárias para garantir a proteção adequada contra a doença.
Evolução
As primeiras 1 mil vidas perdidas foram verificadas nos quatro primeiros meses da pandemia, em 2020. Depois disso, no intervalo de 40 dias, este número dobrou. O total de óbitos subiu para 3 mil em dezembro, enquanto que o indicador de 4 mil histórias interrompidas foi batido em 16 de fevereiro.
A região alcançou 5 mil mortes em 19 de março e, após 18 dias, superou os 6 mil em 5 de abril. Após 16 dias, chegou a 7 mil vítimas; enquanto o total de 8 mil óbitos foi registrado em 18 de maio. O total aumentou para 9 mil em 15 de junho e, após 22 dias, ultrapassou a marca de 10 mil em 6 de agosto.
Com isso, os municípios totalizam 11 mil vidas perdidas após um período de 36 dias.
Vídeos: tudo sobre Campinas e região

Veja mais notícias da região no G1 Campinas.