Camila Gargantini tem 26 anos e criou símbolos em busca de redução em erros médicos. Projeto foi premiado no Festival Internacional de Criatividade e pode ajudar a salvar vidas. Jovem de Americana (SP) cria sistema universal símbolos de identificação de doenças
Reprodução/Site oficial idverse.org
Camila Gargantini, de 26 anos, é formada em design e encontrou na profissão uma forma de fazer a diferença com a criação de símbolos universais para identificação de doenças. A jovem de Americana (SP) desenvolveu o sistema com objetivo de reduzir erros médicos e recebeu o Leão de Cannes, na França, o prêmio do Festival Internacional de Criatividade.
“Eu entrei na universidade com essa cabeça de que queria fazer coisas que tivessem uma função além de embelezar o mundo, uma funcionalidade social. Então, ter a oportunidade de fazer isso dentro do mercado é muito gratificante.”
Segundo o Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente, erros médicos são responsáveis por 227 mil mortes no Brasil por ano.
A americanense trabalhava em uma agência de design de São Paulo quando uma empresa de consultoria hospitalar propôs o desafio. O trabalho consistia na criação de uma série de símbolos que representam doenças e podem ser entendidos em qualquer lugar do mundo. Com isso, Camila ficou responsável pelo projeto, com a supervisão do seu chefe, o designer Marcelo Roncatti.
“Primeiro, a gente percebeu que focar na estética não seria o mais o ideal. Eles [os códigos] não precisavam ser bonitos, precisavam ser funcionais, porque, ao mesmo tempo que a gente tem que fazer de uma forma universal, eles têm que ser ensinados nas universidades para médicos e enfermeiros”, explicou Camila.
Após algumas análises, a jovem pensou em similaridades e diferenças entre os estados de saúde para desenvolver a linguagem, denominada IDverse.
“A gente conseguiu montar uma tabela que, combinando tipos de linhas com formas geométricas, podia criar uma infinidade de ícones para milhares de tipos de doenças e condições”, afirmou.
Camila ressaltou que os símbolos – quando todos tiverem conhecimento e forem registrados em cartões, documentos e até mesmo como tatuagens – podem salvar vidas, porque, em uma emergência que envolva uma pessoa que possui uma doença, qualquer indivíduo pode identificar o problema e ajudar. Assim, erros por falta de conhecimento de informações do paciente podem ser evitados.
Jovem de Americana (SP) conquistou prêmio internacional de criatividade com projeto para salvar vidas
Arquivo pessoal
O prêmio
Leão de Cannes, apesar de remeter ao famoso festival de cinema, é um prêmio diferente. O evento prestigia trabalhos criativos dentro da área de comunicação e tem cinco dias de duração. Em 2021, a premiação teve início em 21 de junho e aconteceu forma virtual por conta da pandemia da Covid-19.
No total, são quatro tipos de troféus: Grand Prix, Leão de Ouro, Prata e Bronze em cerca de 35 categorias. A Camila Gargantini recebeu o Pharma Leão de Prata que é focado em criações na área da saúde.
A moradora de Americana contou que chega a ser assustador ver as proporções que o trabalho dela tomou e que não vê a hora de fazer parte da rotina das pessoas.
Inspiração
Camila disse que não tem as doenças das quais desenvolveu os símbolos, mas explicou que o tio é alérgico a paracetamol, remédio para febre e dor, e que anda de moto. Com isso, ele a alertou sobre como um acidente pode causar problemas ainda mais graves pela falta de conhecimento da alergia.
“Ele tem escrito no braço o tipo sanguíneo e ‘alérgico à paracetamol’, fez antes da concepção dos símbolos, claro”, afirmou.
Futuro
O projeto levou cerca de dois meses para ser elaborado e ficou pronto em dezembro de 2020. Dessa forma, por ser algo recente, a designer disse que, por enquanto, os códigos estão sendo implantados em universidades da área da saúde e hospitais, para que médicos e futuros profissionais aprendam e utilizem.
“A gente já tem um site e está sendo passado para as instituições de ensino. Então, já está sendo inserido dentro das universidades para que os alunos saiam já com esses ícones na cabeça. Agora, o desafio está sendo esse, de colocar esses símbolos no dia a dia das pessoas”, afirmou a jovem.
Além disso, a empresa que solicitou o sistema tem a pretensão de inserir a nova linguagem documentos de identificação e de uso pessoal dos pacientes, como cartões de crédito. Para isso, a companhia está em processo de negociação com corporações de banco para que os códigos comecem a ser registrados para as pessoas que precisam.
* Sob a supervisão de Patrícia Teixeira
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