Estado de SP está com falta da vacina para aplicação da segunda dose. Governo diz que problema ocorre por causa de atraso em repasse do Ministério da Saúde. Já governo federal nega atraso e diz que estado aplicou imunizante na primeira dose. Ampola contendo 5 ml do imunizante Oxford/AstraZeneca utilizado na vacinação contra Covid-19
ALLISON SALES/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
O governador João Doria (PSDB) disse que vai entrar com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) caso não receba cerca de 1 milhão de doses da AstraZeneca que, segundo ele, estão em atraso e seriam destinadas para a aplicação da segunda dose no estado de São Paulo.
“O Ministério deve, sim, um milhão de doses da AstraZeneca e, se não der por aquilo que representa a proporcionalidade de São Paulo e seus 645 municípios, dará por determinação do STF, porque se nós não recebermos a vacina até a próxima terça-feira, como é a promessa do Ministério da Saúde, nós ingressaremos com outra medida no Supremo”, afirmou.
Doria também disse que o governo do estado já enviou dois ofícios ao governo federal, até quinta-feira (9), cobrando o envio da vacina que deveria ter sido repassado ao Plano Nacional de Imunização (PNI), mas não obteve resposta.
A falta do imunizante impede que a população complete o ciclo vacinal contra a Covid-19. O problema ocorre desde o início da semana, e gerou um novo impasse entre as gestões estadual, municipal e o Ministério da Saúde.
Tanto governo do estado como a prefeitura da capital paulista acusam o governo federal de alterar cronograma de envio, atrasar repasse de lotes e provocar desabastecimento dos postos, principalmente na cidade de São Paulo.
Já o Ministério da Saúde afirma que “não deve segunda dose de vacina Covid-19 da AstraZeneca ao estado de São Paulo”. Segundo o governo federal, o desabastecimento teria ocorrido porque o estado utilizou parte do imunizante destinado à segunda dose em aplicações de primeira dose.
“Dados inseridos por São Paulo no LocalizaSUS mostram que o estado utilizou como primeira dose vacinas destinadas à dose dois. O estado aplicou 13,99 milhões de dose 1 e 6,67 milhões de dose 2.”
A cidade de São Paulo tem 200 mil pessoas com a segunda dose da vacina AstraZeneca em atraso por conta da falta do imunizante nos postos de saúde. Na manhã desta sexta-feira (10), quase 100% dos postos já não tinham mais nenhuma dose disponível.
O prefeito Ricardo Nunes (MDB), que também participou da coletiva de imprensa após o lançamento de um programa estadual de auxílio aos empreendedores informais, negou que o município tenha usado vacinas para aplicação da primeira dose.
“A Prefeitura de São Paulo, ela não utilizou a vacina da AstraZeneca ou de qualquer outra de segunda dose como primeira dose”, declarou.
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Contradição
Mais cedo, Nunes disse que até a próxima semana, serão mais de 340 mil doses em atraso. No total, a cidade precisa de 1,721 milhão de doses da AstraZeneca para completar a vacinação da população que já recebeu a primeira dose do imunizante até dezembro.
De acordo com o prefeito, o problema poderá ser solucionado com a utilização da Pfizer como segunda dose. Entretanto, a declaração contradiz o que o próprio secretário da saúde do munícipio vem afirmando desde a semana passada: a cidade também já registra falta de doses da Pfizer.
Na semana passada, Edson Aparecido havia dito que a capital passaria a priorizar a aplicação da Pfizer para doses de reforço na população idosa, quando recebesse um novo lote da vacina, previsto para chegar no dia 15 de setembro.
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