14 deputados federais do PSDB votaram a favor da proposta da PEC do voto impresso na terça (10), mesmo com a orientação da legenda em rejeitar o texto. Segundo Doria, o próprio PSDB já tinha feito uma auditoria em 2014 e ‘entendeu que a urna eletrônica é inviolável’. O governador do Estado de São Paulo, João Doria (PSDB) em coletiva de imprensa nesta quarta-feira (12) no Palácio dos Bandeirantes no bairro do Morumbi, em São Paulo
ALOISIO MAURICIO/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO
O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), disse nesta quarta-feira (11) que considera “deplorável, seja quem for, de qual partido, apoiar o governo Bolsonaro na iniciativa do voto impresso”.
A declaração foi feita após o tucano ser questionado sobre os 14 votos que os deputados federais do PSDB deram a favor a proposta de impressão do voto, na noite de terça-feira (10), na Câmara dos Deputados.
O partido tinha orientado a bancada pelo voto de rejeição ao projeto, mas só teve 12 parlamentares contrários, além de uma abstenção do deputado Aécio Neves (PSDB-MG) e cinco deputados que não participaram da votação. A sigla foi uma das que teve o maior percentual de votos contrários à orientação (47%) (veja abaixo).
“Eu considero deplorável, seja quem for, de qual partido, apoiar o governo Bolsonaro nessa iniciativa do voto impresso. (…) Lamento parlamentares, inclusive do meu partido, que tenham tido esta posição. Respeito, mas lamento. Porém, quero dizer que os 7 deputados federais do estado de São Paulo votaram contra”, afirmou Doria.
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O governador afirmou, ainda, que o voto na urna eletrônica no Brasil tem se “mostrado eficiente ao longo dos quase 30 anos de existência no país” e o próprio PSDB já fez ampla auditoria do sistema e não constatou violações.
“O meu partido fez em 2014 uma ampla auditagem, coordenada por um deputado federal que já foi promotor público, deputado Carlos Sampaio, e uma equipe de auditores americanos e brasileiros, e não constatou absolutamente nada. Entendeu que a urna eletrônica é inviolável”, afirmou
Doria criticou o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) por endossar a proposta e se articular para levar o projeto ao plenário da Câmara, mesmo após derrota na comissão especial.
“O governo Bolsonaro ao tentar mudar [o voto eletrônico], não foi com a índole de proteger a democracia e nem o voto, ao contrário, foi de colocar em dúvida o processo democrático. Lamento parlamentares, inclusive do meu partido, que tenham tido esta posição”, declarou.
Rejeição na Câmara
Os deputados federais decidiram na noite da terça-feira (10) rejeitar e arquivar a proposta de emenda à Constituição (PEC) que propunha o voto impresso em eleições, plebiscitos e referendos, em uma derrota para o presidente Bolsonaro (veja mais abaixo).
A votação na Câmara ficou marcada por uma grande quantidade de deputados que não obedeceram a orientação dos seus partidos: 113 dos 448 parlamentares que votaram (25% do total).
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Placar da PEC do voto impresso
Reprodução
As siglas com os maiores percentuais de votos contrários à orientação foram PSD (57%), PV (50%), PSDB (47%), DEM (46%) e MDB (45%).
PSD, PSDB, DEM e MDB também foram os únicos partidos a ter mais votos contrários à orientação do partido do que a favor:
PSD: o partido orientou voto NÃO, mas teve 20 votos SIM e 11 NÃO; 4 se ausentaram e não votaram
PSDB: o partido orientou voto NÃO, mas teve 14 votos SIM e 12 NÃO; 5 não votaram e 1 se absteve (Aécio Neves), também contrariando o partido *
DEM: o partido orientou voto NÃO, mas teve 13 votos SIM e 8 NÃO; 7 se ausentaram
MDB: o partido orientou voto NÃO, mas teve 15 votos SIM e 10 NÃO; 8 se ausentaram
Outas nove siglas tiveram votos contrários à orientação: Cidadania (38% dos filiados), Solidariedade (36%), PSB (35%), PL (27%), Avante (25%), PDT (24%), Podemos (20%), PSL (11%) e Republicanos (9%).
Podemos, PSL e Republicanos foram os únicos partidos que orientaram seus deputados a votarem a favor da PEC do voto impresso.
PT, PSOL, PCdoB e Rede não tiveram nenhum voto contrário ao determinado pelo partido.
Outros seis siglas liberaram seus filiados para votar como quisessem: PP, PROS, PSC, PTB, Novo e Patriota. Único deputado sem partido, Rodrigo Maia votou contra a PEC.
Veja todos os percentuais na tabela abaixo:
Votação da PEC do voto impresso
Veja como votou cada partido na PEC do voto impresso
G1
Durante a votação, alguns deputados que participavam remotamente da sessão reclamaram ao presidente da Câmara, Arthur Lira, que não estavam conseguindo registrar o voto pelo celular.
Foram os casos de Alexandre Padilha (PT-SP) e Gonzaga Patriota (PSB-PE), por exemplo. Ambos se posicionam contra o voto impresso, mas aparecem no registro da Câmara como “ausente”.
Derrota para Bolsonaro
A rejeição da PEC do voto impresso representa uma derrota para o presidente Jair Bolsonaro, que sem apresentar provas vem falando em fraude no sistema de votação por meio da urna eletrônica.
O presidente da República também tem feito acusações sem fundamento a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A PEC precisava de no mínimo 308 votos para ser aprovada na Câmara dos Deputados, mas teve o apoio de apenas 229 deputados. Outros 218 votaram contra a PEC, 64 não votaram e um se absteve.
Os 64 deputados ausentes — entre eles vários parlamentares de legendas governistas — contribuíram para a derrota de Bolsonaro. Por ser presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL) é o único que não vota.
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Novo ataque do presidente
Na terça-feira (10), o presidente da Câmara repetiu o que tinha dito na sexta-feira (7), de que Bolsonaro respeitaria a decisão da Câmara e encerraria o assunto. “Ele me garantiu que respeitaria o resultado do plenário. Eu confio na palavra do presidente da República ao presidente da Câmara”, afirmou Lira.
Mas o presidente da República voltou a criticar o TSE nesta quarta (11) e sem provas disse que as eleições de 2022 não serão confiáveis.
Bolsonaro mentiu ao dizer que metade do Parlamento votou a favor do voto impresso e que os 218 que votaram contra a PEC e os 66 que se abstiveram ou se ausentaram foram chantageados.
“Quero agradecer à metade do Parlamento que votou favorável ao voto impresso. Parte da outra metade, que votou contra, entendo que votou chantageada. Uma outra parte que se absteve, dessa parte, não são todos, mas alguns ali também não votaram com medo de retaliação”, disse.
44% dos votos a favor da PEC
Os 229 deputados que votaram a favor da PEC do voto impresso representam 44% dos 513 congressistas — menos da metade da Câmara, ao contrário do que diz Bolsonaro.
Além disso, na prática, quem não vota contribui para derrubar da proposta, já que dificultam a chegada na marca dos 308 votos necessários para aprovar uma PEC (60% da Casa).
Se somados os 218 deputados que se posicionaram contra a proposta, a abstenção e as 65 ausências, 284 dos 513 congressistas não apoiaram o voto impresso — 55% do total.
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