Secretário da Saúde da capital informou que, por conta da transmissão comunitária da variante delta, a prefeitura está discutindo uma maneira de iniciar a aplicação de uma dose de reforço nos primeiros grupos vacinados contra a doença. Mais de 500 mil doses foram aplicadas na ‘Virada da Vacina’ em SP, diz secretário
O secretário da Saúde da cidade de São Paulo, Edson Aparecido, informou em entrevista à GloboNews que a pasta está analisando a aplicação de uma terceira dose da vacina contra a Covid-19 em idosos e profissionais de saúde, que foram os primeiros a tomarem o imunizante.
“Estamos discutindo a possibilidade de vacinar os dois primeiros grupos, idosos e profissionais de saúde. Tive uma conversa com o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, sobre essa questão, e ele nos informou que o Plano Nacional de Imunização (PNI) e o Ministério da Saúde estuda a questão da aplicação da terceira dose”, afirmou o secretário.
Aparecido informou ainda que o ministério está procurando uma maneira de contabilizar a quantidade de doses para que isso seja feito em todo o país. “Estamos também em contato com o governo do estado. O horizonte que temos é dar início à vacinação de crianças e jovens com idades entre 12 e 17 anos e concluir a aplicação da segunda dose na população até o mês de novembro.”
O secretário reforçou que, por conta da transmissão comunitária da variante delta da Covid-19 na capital, a prefeitura está discutindo uma maneira mais rápida de iniciar a dose de reforço nos primeiros grupos vacinados.
Na capital, após 34 horas ininterruptas com a “Virada da Vacina”, mais de 500 mil pessoas com mais de 18 anos foram imunizadas.
Segundo Aparecido, com isso, a cidade chega a 99,2% da população com mais de 18 anos com pelo menos uma dose da vacina contra a Covid aplicada. “Agora pretendemos, segunda e terça-feira, terminar de completar a vacinação para alcançar 100% das pessoas com mais de 18 anos com a primeira dose na capital.”
Estudo sobre terceira dose
Na segunda-feira (16), o Ministério da Saúde, em parceria com a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), deve iniciar um estudo inédito para avaliar a necessidade de uma terceira dose de vacinas para Covid-19 para quem tomou duas doses da CoronaVac.
As vacinas para serem usadas neste estudo chegaram na quinta-feira (12). Os pesquisadores vão estudar os quatro imunizantes aplicados no Brasil: AstraZeneca, Pfizer, CoronaVac e Janssen.
Alguns voluntários vão receber uma dose adicional de uma vacina diferente daquela que ele já tomou antes. Outros vão receber uma terceira dose da CoronaVac. O objetivo é descobrir qual a proteção quando se cruza os imunizantes ou se mantém o mesmo na terceira dose.
Os 1.200 voluntários vão ser divididos em 4 grupos e, cada grupo, recebe uma dose de reforço de uma única vacina.
A responsável pelo estudo em São Paulo, Dra. Lily Yin Weckx, explica porque alguns precisam de reforço na imunização.
“Pessoas imunocomprometidas, pessoas transplantadas, que recebem constantemente muitas pressões, estes respondem pior pras vacinas. E os ‘tipos’ de anticorpos caem mais rápido. Então pra esses acho que é necessário realmente uma possibilidade de uma terceira dose. Geralmente as pessoas idosas respondem pior também, né? Porque existe o fenômeno chamado de imunossenescência. O envelhecimento do sistema imune. Por isso que a resposta pode ser pior e a resposta dos anticorpos pode cair precocemente”, diz.
Em julho, a Anvisa autorizou que os laboratórios Pfizer e AstraZeneca investigassem efeitos e necessidades de uma dose extra contra a Covid-19. Os estudos estão em andamento em pelo menos cinco estados.
Estudos de 3ª dose em andamento:
Pfizer: O laboratório recebeu liberação da Anvisa em julho para iniciar a pesquisa que investiga os efeitos, a segurança e o benefício de uma dose de reforço da sua vacina, a Comirnaty. O imunizante extra já foi aplicado em 1.164 pessoas que tomaram as duas doses completas há pelo menos seis meses. Dessas, 546 tomaram no estado de São Paulo. Agora, seguem sendo acompanhados pelos pesquisadores diariamente. Depois de seis meses, eles irão receber a visita dos pesquisadores para a coleta de exames de sangue. Além do Brasil, esse estudo está sendo conduzido nos Estados Unidos e África do Sul. Ao todo, serão 10.200 participantes nos três países.
AstraZeneca: a farmacêutica desenvolveu uma segunda versão da vacina que está em uso no país, buscando proteção contra a variante beta. Parte do ensaio clínico prevê que uma dose da nova versão da vacina (AZD2816) seja aplicada em pessoas que receberam as duas doses da versão atual da AstraZeneca (AZD1222). Agora, os pesquisadores também realizam um estudo pioneiro para avaliar a necessidade de uma 3ª dose após 12 meses em pessoas que tomaram as duas doses do imunizante. Em todo o país, já estão sendo testadas 4.600 pessoas em São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Natal, Porto Alegre e Santa Maria (RS). O Brasil é o único, por enquanto, a fazer esse tipo de estudo, segundo os pesquisadores.
Unifesp: os pesquisadores devem dar início na segunda (16) a um novo estudo do Ministério da Saúde para avaliar a necessidade de uma terceira dose de vacinas para Covid-19 para quem tomou Coronavac. A pesquisa será feita com 1.200 voluntários em São Paulo e Salvador em quem tomou as duas doses de Coronavac há seis meses. De acordo com a coordenadora do Centro de Referência de Imunobiologia Especial (Crie) da Unifesp, Dra. Lily Yin Weckx, o grupo será dividido em quatro: 25% vão receber como terceira dose a vacina da Pfizer, 25% da Astrazeneca, 25% da Janssen e 25% da Coronavac. O objetivo é saber se a terceira dose vai aumentar o número de anticorpos. Os pesquisadores também vão avaliar a segurança dessa terceira dose, possíveis reações, como febre e dor, já que serão testadas vacinas diferentes em cada grupo.
Butantan: o Instituto também se prepara para começar a pesquisa que irá avaliar a eficácia de uma terceira dose da Coronavac no Brasil. Na terça-feira (10), a fabricante Sinovac divulgou o resultado de um estudo feito na China. A dose adicional administrada em adultos e num prazo de seis a oito meses depois da segunda dose, aumentou em até cinco vezes o número de anticorpos no organismo.
De acordo com a Anvisa, há apenas três estudos autorizados no Brasil para investigação de doses extras, dois da AstraZeneca e um da Pfizer. O estágio de andamento dos estudos é de responsabilidade dos laboratórios patrocinadores de cada pesquisa.
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