Candidato do Republicanos a prefeito da metrópole ainda falou sobre a relação com a atual gestão e ações diante da pandemia. Político disputa o segundo turno das eleições. G1 entrevista Dário Saadi (Republicanos), candidato do 2º turno à Prefeitura de Campinas
O candidato a prefeito de Campinas (SP) Dário Saadi (Republicanos) afirmou, nesta terça-feira (24), que, se eleito, irá propor uma nova legislação para regulamentar cargos comissionados e estima que isso possa reduzir de 10% a 20% o quadro na administração. Em entrevista ao G1, o político ainda falou sobre a possibilidade de manter secretários do atual governo em uma futura gestão e dos desafios da pandemia.
Saadi foi o segundo dos candidatos a prefeito de Campinas no segundo turno entrevistados ao vivo no EPTV 2 e, em seguida, pelo G1, em transmissão exclusiva pela internet. Na segunda-feira (23), foi a vez de Rafa Zimbaldi. A ordem foi definida por sorteio.
Rafa Zimbaldi promete corte de pelo menos cinco secretarias da prefeitura de Campinas
“Nós estamos finalizando um estudo buscando não só a redução [ de secretarias], mas do gasto público. Em relação aos cargos públicos, que é mais complexo, vamos fazer uma nova lei para apresentar, e a redução pode variar de 10% a 20%. Não é só em relação ao número, mas valor de salário e a qualificação necessária para acessar um cargo desse”, disse.
Médico e ex-secretário de Esportes de Campinas ficou em primeiro lugar nas eleições no 1º turno, com 121.932 votos (25,78% dos válidos), à frente de Rafa Zimbaldi (PL), que teve 103.397 (21,86% dos válidos). Os dois disputam o posto de chefe do Executivo no segundo turno, marcado para o próximo domingo (29). Veja como foi a votação e o resultado do 1º turno na metrópole.
Dário Saadi (Republicanos) em entrevista ao G1
Arthur Menicucci/G1
Relação com atual governo e secretariado
Questionado sobre índices de pesquisas que apontam que uma grande parcela da população espera por uma mudança em relação à atual gestão, do qual tem o apoio, Dário Saadi usou um lema de campanha para defender que irá manter certos programas e ações, mas mudar estratégias em algumas áreas, como a saúde.
“Vamos garantir o BRT, concluir o BRT. O programa Meu Bairro Bem Melhor, nos últimos anos, levou asfalto para regiões que contemplaram 250 mil habitantes. Tem que continuar. Agora, vamos mudar na saúde, mudar o número de médicos nas unidades, implantar a telemedicina, construir o Hospital da Mulher”, disse.
Ao falar sobre a proximidade com o atual governo, uma vez que 17 secretários municipais e o próprio prefeito estão entre os doadores de sua campanha, o candidato descartou que esse seja um sinal de “compromisso” por cargos, mas admite que eventualmente algum membro do alto escalão pode seguir em uma eventual gestão sua. A doação de campanha está dentro da lei.
“O prefeito Jonas já divulgou que independentemente do resultado das eleições, todos secretários colocarão os cargos à disposição. Não temos compromisso, mas eventualmente pode ficar um. Não tem relação com as doações. Fizemos um compromisso de levar um grupo técnico”, afirmou.
Pandemia
Diante do cenário de pandemia, e com registro de aumento de internações nos leitos de UTI do SUS Municipal, o candidato condicionou ao governo do estado a adoção de medidas restritivas ou de flexibilização.
“As definições de fase são pelo Plano SP. É o governo do estado que até hoje definiu as regras do isolamento. O município cuida da assistência. Houve um pequeno aumento de internações e vamos ficar atentos. E vamos dialogar. No meu entender, Campinas teria condições de gerenciar essas regras. Se não conseguirmos autorização do estado, teremos que seguir o plano SP”, afirmou.
Saadi ainda falou sobre a contratação de 200 médicos no primeiro ano de governo, presente em sua proposta, e que garante ser factível de cumprir, apesar da atual gestão, com os concursos realizados neste ano, não ter atingido esse número.
“A cada ano, além de formarem mais médicos, mais especialistas são formados. Vamos contratar através de concurso, através do programa Mais Médicos Campineiro e através de parcerias que já existem”, afirmou.
Carnaval, moradia e escola militar
Único dos 14 candidatos à Prefeitura de Campinas no 1º turno que não participou do Jogo Eleitoral, do G1, Dário Saadi respondeu sobre questões que fizeram parte da plataforma.
Disse que não prevê a adoção do modelo de escola cívico-militar na cidade, que irá verificar a possibilidade de usar imóveis abandonados para moradia e que pretende encontrar alternativas para que o carnaval volte a ser realizado na cidade.
“Vamos consultar a população, mas não há previsão de uso da escola cívico-militar […] Das moradias vamos, sim, nessa possibilidade, dentro da lei. O que pudermos fazer dentro da lei, vamos fazer […] E sobre o carnaval, com a pandemia, não dá para aglomerar. Já tive reunião com o setor e para os próximos anos, vamos conversar com as escolas de samba”, detalhou.
Dário Saadi (Republicanos), candidato a prefeito de Campinas, dá entrevista ao EPTV 2
Entrevista ao EPTV 2
Em entrevista ao EPTV 2, momentos antes, Dário Saadi defendeu a realização de algumas propostas de seu programa de governo apesar da previsão orçamentária para 2021 apresentar redução de verba em diferentes pastas, como segurança pública e transportes.
Em relação ao tema segurança pública, o candidato propõe aumentar o efetivo da Guarda Municipal em 100 servidores.
“Vamos fazer essa ampliação em 100 homens dentro do orçamento previsto. Se precisar, podemos suplementar o orçamento. Além disso, vamos ampliar de 500 para mil câmeras inteligentes e criar o patrulhamento escolar. É viável [com o orçamento previsto], mas outra coisa é que vou cobrar mais o governo do estado por investimentos. Campinas é uma das cidades que mais paga impostos”, disse.
Saadi ainda enfatizou o plano de terminar as obras do Corredor BRT, com a promessa de modernizar a frota e manter o valor da tarifa sem aumento.
“Na questão do BRT, os recursos já estão garantidos. Vamos finalizar nos três primeiros meses do ano que vem, e eu sei como fazer isso. A questão da modernização da frota será dentro da licitação, para que tenha ônibus com wi-fi e ar-condicionado. A tarifa também estará na licitação. É um compromisso não subir a tarifa em 2021”, afirmou.
Questionado sobre o apoio do PDT no 2º turno, partido que lançou o ex-prefeito cassado Dr. Hélio nas eleições 2020, Dário defendeu que o apoio é partidário, e não do candidato.
“A própria carta de apoio do PDT a nossa candidatura diz que o Dr. Hélio não apoia. Tanto é que, quando eu era vereador, votei pela cassação dele. A carta diz que o apoio era partidário, e não do candidato”, destacou.
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