Indiana dos Santos Freitas, de 28 anos, está desde agosto com fortes dores na cabeça, que afetaram sua visão. Apesar de ter sido atendida em unidades de saúde de duas cidades, causa da enxaqueca ainda não foi encontrada. Indiana
Arquivo pessoal
Há dois meses com uma forte dor de cabeça, uma moradora de 28 anos de Guarujá, no litoral de São Paulo, luta por um diagnóstico preciso que possibilite o tratamento da doença. A enxaqueca sofrida é tão forte que chegou a afetar seus nervos ópticos, fazendo com que ela enxergue apenas vultos e tenha alta sensibilidade à luz.
Tudo começou com uma dor incômoda, no início de agosto. Indiana dos Santos Freitas, de 28 anos, chegou a procurar um pronto-socorro, onde recebeu atendimento, foi medicada e liberada após ter sido diagnosticada com cefaleia.
Como qualquer outra pessoa, Indiana sentia dores de cabeça eventualmente, por estresse, fome ou outra causa comum. As dores, segundo ela, passavam com remédios. Nas primeiras semanas dos sintomas, ela tentou resolver a situação como sempre fez. “Por um mês certinho comprei remédios na farmácia para dores de cabeça. Tentei tanto que o rapaz da farmácia me falou: ‘moça, já não dá mais para você tomar medicação’.”
As dores aumentaram ao ponto de Indiana perder, de uma vez, grande parte da visão dos dois olhos. Agora, por causa do rompimento dos nervos ópticos, ela enxerga apenas vultos. Ela chegou a ir em um oftalmologista, onde foi encaminhada para um neurologista. Lá, ela passou por tomografias de crânio, órbitas e coluna cervical.
“Minha visão não escureceu. Ela clareou de vez e duplicou tudo. Então, hoje eu vejo tudo embaçado e duplicado, não consigo ficar na luz. Não consigo nem enxergar a forma do meu filho, como ele era”, desabafa. Se acender uma luz, parece que está estourando tudo por dentro.”
Ela foi diagnosticada com hipertensão intracraniana, edema de papila e acúmulo de água no cérebro. No entanto, o diagnóstico foi tido como inconclusivo dias depois, quando novos exames foram feitos e nada que confirmasse as doenças foi encontrado. Médicos suspeitaram de infecção pela bactéria do porco, mas a suspeita também foi descartada, assim como inflamação do cérebro.
Após passar 12 dias internada, Indiana foi mandada de volta para casa na última quinta-feira (12). Segundo ela, a alta médica ocorreu apesar das dores e da cegueira sem diagnóstico, pois os médicos não ‘sabiam o que fazer’. “Disseram para a minha mãe: ‘leva ela pra casa que não tem mais o que fazer e segue com tratamento de medicação’. Tipo: ‘leva ela de volta para casa e seja o que Deus quiser'”, desabafou.
Em casa, a mãe dela a ajuda a executar todas as tarefas básicas, como tomar banho e se alimentar. Devido à falta da visão e às fortes dores, Indiana passa boa parte do dia deitada no escuro.
Mulher luta por diagnóstico de dor de cabeça que a deixou sem enxergar
Reprodução/Facebook
Doença misteriosa
Indiana procurou a Unidade de Saúde da Família (Usafa) da Vila Edna quando a dor começou a preocupá-la, após tentar tratá-la com remédio simples por semanas. Em nota, a Secretaria de Saúde de Guarujá (Sesau) lamentou o sofrimento da paciente e relatou que Indiana foi encaminhada para atendimento de um neurologista no Ambulatório de Referência em Especialidades (ARE), sendo submetida a exames.
Alguns dias depois, ela foi até a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Dr. Matheus Santamaria com a mesma queixa. A paciente foi avaliada, medicada, ficou internada na unidade por uma noite e realizou uma tomografia de crânio, recebendo alta médica no dia seguinte, sendo orientada a continuar o acompanhamento já iniciado no ARE.
A mulher recebeu uma carta de encaminhamento para que pudesse procurar atendimento em unidades de outra cidade. Em Santos, ela foi atendida pela UPA Central. A Secretaria de Saúde de Santos (SMS) informou, por nota, que a paciente procurou a unidade no dia 30 de outubro, onde permaneceu por observação e realizou exames até a transferência para a Santa Casa no dia 1º de novembro.
No hospital, referência na área de neurologia, ela passou por exames, entre eles a ressonância magnética de crânio. A pasta esclareceu que os atendimentos especializados devem ser feitos nas cidades de origem dos pacientes, sendo a UPA uma unidade destinada para casos de urgência e emergência, onde a paciente recebeu toda assistência necessária.
Já a Santa Casa de Santos, última unidade de saúde por onde Indiana esteve, informou que ela foi internada no dia 1º de novembro. A unidade de saúde informou que a mulher foi assistida pela equipe multiprofissional, com acompanhamento das especialidades de neurologia e oftalmologia, e realizou todos os procedimentos necessários.
Quanto às demais informações solicitadas, a Santa Casa de Santos afirmou que não possui autorização para detalhar procedimentos e condutas relacionadas a pacientes internados na instituição.
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