Secretário afirma que Ministério da Saúde se comprometeu a enviar 50 mil doses extras para repor gradualmente as 228 mil doses que teriam faltado de lote anterior. Governador do estado, João Doria (PSDB), declarou que o ministro descumpriu o combinado com São Paulo. Ministério diz que as 50 mil doses estão incluídas nas 241.020 doses entregues ao estado na terça (10). O secretário estadual da Saúde de SP, Jean Gorinchteyn, em encontro com o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, na sexta-feira (6).
ANTONIO MOLINA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO
O governo de São Paulo afirmou nesta quarta-feira (11) que o Ministério da Saúde descumpriu um acordo feito em tratativas realizadas em Brasília e não enviou um quantitativo de 50 mil doses da vacina da Pfizer contra a Covid-19 para o estado. Essas 50 mil doses seriam mandadas para São Paulo para repor um lote anterior no qual o estado recebeu uma quantidade menor do que o previsto pelo governo estadual.
Nesta quarta-feira (11), Gorinchteyn afirmou que o acordo verbal foi firmado em conversas com o ministro e, posteriormente, descumprido.
“Naquele momento havia sido dito que receberíamos, além do valor que teríamos direito [na nova remessa da Pfizer], mais 50 mil doses. Mas, na data de ontem, recebemos um quantitativo que confere 23%, exatamente o que São Paulo faz jus, sem que tenha sido acrescido as mais 50 mil doses conforme foi colocado”, disse em coletiva de imprensa.
O Ministério da Saúde informou, por meio de nota que as 50 mil doses extras estão incluídas no pacote de 241.020 doses da Pfizer entregues ao estado na terça-feira (10).
Na semana passada, a gestão estadual anunciou que foram repassadas 228 mil doses a menos do que o previsto pela secretaria da Saúde de São Paulo no último envio feito pelo Ministério da Saúde. A pasta estadual esperava um total de 456 mil doses, segundo cálculo que leva em consideração a população de cada estado.
No entanto, em entrevista coletiva em Brasília na quarta-feira (4), o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Rodrigo Moreira da Cruz, negou que tenha ocorrido prejuízo ao estado de São Paulo. O porta-voz do governo federal afirmou que não existe um percentual fixo de doses para cada estado e que houve uma “compensação” no lote da Pfizer porque São Paulo já teria recebido mais doses de outros imunizantes, como o do Butantan.
A Secretaria Estadual de Saúde rebateu o governo federal afirmando que a informação de que São Paulo recebeu mais doses da CoronaVac era mentirosa, e declarou que o estado entraria na Justiça para exigir as doses da Pfizer. Após o episódio, o ministro Marcelo Queiroga e o secretário estadual da Saúde Jean Gorinchteyn se reuniram em Brasília na sexta-feira (6) para tratar do tema.
De acordo com o secretário, durante o encontro, o ministro se comprometeu a enviar todas as 228 mil que São Paulo reivindica até o fim da semana. O envio de 50 mil nesta terça-feira (10) seria a primeira parte dessas 228 mil vacinas.
Em coletiva nesta quarta (11), o governador do estado, João Doria (PSDB), declarou que o ministro descumpriu o combinado com São Paulo.
“Ministro, eu aprendi com o meu pai que é feio mentir, e que é feio prometer e não cumprir”, disse Doria.
Ao G1, o Ministério da Saúde havia afirmado anteriormente por meio de nota que enviaria “uma compensação gradual dos quantitativos de vacinas de modo complementar”. A pasta foi procurada novamente para comentar a declaração do secretário, mas não respondeu até a publicação desta reportagem.
Governo de SP cobra mais doses da Pfizer do Ministério da Saúde
Compra exclusiva para SP
No início de julho, o governo de São Paulo anunciou a compra de doses da vacina contra Covid-19 exclusivamente para a população do estado. A aquisição permitiu um avanço local mais rápido na campanha de imunização, em comparação a outras localidades.
A aquisição de 4 milhões de doses da CoronaVac, produzida pela Sinovac na China e entregue diretamente a São Paulo, foi divulgada em 7 de julho. Desse total, 2,7 milhões de doses já foram entregues.
No entanto, como mostrou reportagem do G1, um contrato assinado em fevereiro pelo Ministério da Saúde com o Butantan previa que o governo federal teria exclusividade para comprar todas as doses de Coronavac importadas da China ou produzidas no Brasil. Isso até que se chegue ao total de 100 milhões de doses repassadas, o que ainda não ocorreu.
O governador João Doria foi questionado sobre a legalidade de comprar doses para São Paulo antes de entregar as vacinas adquiridas pelo governo federal. Ele reconheceu que há uma cláusula de exclusividade, mas argumentou que o contrato tampouco previa a antecipação das entregas por parte do Butantan.
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