É preciso ter tomado a primeira dose da Pfizer ou da AstraZeneca há mais de 60 dias ou, no caso da CoronaVac, há pelo menos 15 dias. Grupo contemplado deve se dirigir a um dos três postos de vacinação para receber a vacina contra a Covid-19, em Bertioga, SP.
Divulgação/Prefeitura de Bertioga
A partir desta segunda-feira (16), quem estiver aguardando pela segunda dose da vacina contra a Covid-19 na capital paulista poderá se cadastrar na fila de espera da “xepa” nas Unidades Básicas de Saúde (UBS).
A Prefeitura de São Paulo decidiu reduzir o intervalo de aplicação das três vacinas que requerem duas doses para completar a imunização (Pfizer, CoronaVac e AstraZeneca) para as pessoas que colocarem o nome na lista de espera por doses remanescentes, a chamada “xepa”.
Pode ser contemplado pela xepa quem tiver tomado a primeira dose da AstraZeneca ou da Pfizer há pelo menos 60 dias. No caso da CoronaVac, é preciso ter tomado a primeira dose há, no mínimo, 15 dias. Para se inscrever, é preciso levar um comprovante de residência.
De modo geral, o intervalo recomendado entre as aplicações das vacinas da Pfizer e da AstraZeneca no Brasil é de três meses; o da CoronaVac, no estado de São Paulo, é de 14 a 28 dias.
A lista de espera visa não desperdiçar doses remanescentes da vacinam, e a aplicação está sujeita a sobra ao final do dia em cada uma das UBSs da capital. Por dia, as unidades têm aplicado, em média, de 1,8 mil a 2 mil doses.
Segundo determinação da prefeitura, a unidade de saúde deve manter uma lista de espera com os usuários residentes da cidade de São Paulo, elegíveis em sua área de abrangência, moradores, estudantes e quem trabalha na região da unidade (necessário apresentar documentação com endereço), com telefones para convocação deste público.
As inscrições podem ser realizadas durante o horário de funcionamento das UBSs, e o chamamento é realizado por ordem de inscrição.
Antecipação da segunda dose
A antecipação foi implementada em alguns estados como estratégia para combater a variante delta da Covid-19, mas é criticada por diversos infectologistas e pela Fiocruz.
Em 23 de julho, o governador João Doria (PSDB) disse que a antecipação da segunda dose das vacinas Pfizer e AstraZeneca seria uma possibilidade no estado desde que houvesse estoque suficiente de doses.
No entanto, alguns dias a antes, a coordenadora do Plano Estadual de Imunização, Regiane de Paula, havia declarado que o estado não anteciparia a segunda dose de vacinas contra a Covid-19 com intervalo de até 12 semanas porque estudos científicos mostraram que a eficácia dos imunizantes seria menor.
“A estratégia que foi desenhada foi a de não antecipar a vacina da AstraZeneca, porque os estudos demonstram que, quanto mais tempo você tem, melhor a imunidade”, disse Regiane de Paula.
Para Marco Aurélio Sáfadi, infectologista e presidente do departamento de imunização da Sociedade Brasileira de Pediatria, o período de 12 semanas garante uma resposta imunológica mais longeva.
“O que motivou o Brasil a optar por esse intervalo de 12 semanas, e não só o Brasil, mas diversos países europeus, o Canadá, com a vacina AstraZeneca, é que há benefícios após a segunda dose quando você as diferencia por 12 semanas. Você constrói uma melhor resposta imune, você otimiza a proteção após a segunda dose e, provavelmente, deixa essa resposta mais longeva, mais duradoura, porque ela leva a títulos mais altos de anticorpos”, afirma.
Já o o diretor do Butantan, Dimas Covas, alega que é preciso reavaliar o prazo da imunização completa das vacinas Pfizer e AstraZeneca para que elas possam responder à variante delta.
“As vacinas que têm duas doses só completam a imunidade após a segunda dose. No caso do Butantan, esse intervalo é de 28 dias. Então, você completa a imunização mais rapidamente quando comparado com as vacinas que têm intervalo de três meses”, diz Dimas.
“Essas vacinas que têm intervalo de três meses, obviamente que você só vai completar a imunidade passados quase quatro meses da primeira dose. Então, sem dúvida, a possibilidade de antecipação da segunda dose para essas vacinas deve ser considerada, sim”, afirmou.
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