‘Unidos como a família sempre foi’, diz filha do aposentado Reginaldo de Souza. Homem ficou ferido após cômodo em que ele se recuperava do vírus em casa pegar fogo no final de julho. Reginaldo de Souza junto aos três filhos e a esposa antes do incêndio em Ribeirão Preto (SP)
Acervo pessoal
Cerca de dez dias após o incêndio que destruiu parte do cômodo da casa de Reginaldo de Souza, onde o aposentado se recuperava das sequelas deixadas pela Covid-19 em Ribeirão Preto (SP), as duas filhas e o filho dele vão passar um Dia dos Pais diferente de todos os que já viveram neste domingo (8).
O ambiente de um almoço ao redor da mesa com a família foi mudado. Dessa vez, o encontro será na Unidade de Emergência do Hospital das Clínicas (HC-UE). Reginaldo não está mais em fase de transmissão da doença.
O motorista aposentado não deve ter alta tão cedo. No incêndio, sofreu queimaduras de segundo grau pelo corpo. O quadro se agravou porque ele já estava com a fala e a locomoção comprometidas pelo coronavírus.
Embora difícil, passar o Dia dos Pais no hospital foi a única alternativa viável que a família encontrou para estar ao lado do patriarca na data e manter a união de todos, diz a filha Thaís Bruschi.
“Passar esse ano com meu pai, além da situação atual neurológica, ainda dentro de um hospital é uma sensação até difícil de explicar, mas nós vamos continuar sempre aqui com ele, unidos como minha família sempre foi”, afirma.
Registro da família de Reginaldo e Valquiria, em Ribeirão Preto (SP), antes da pandemia
Acervo pessoal
Esperança e fé
Filha mais velha de Reginaldo, Jéssica Bruschi de Souza Cardoso projeta com carinho e emoção os momentos que espera reviver ao lado do pai após a recuperação das queimaduras e das sequelas da Covid.
Ela conta que o pai sempre estava sorrindo e fazia piadas para alegrar o ambiente. Os bons momentos guardados na memória são doses extras de esperança para a volta mais rápida de Reginaldo à casa.
“Independente de tudo, eu ainda acredito que ele vá voltar. Tenho muita fé que ele possa retornar do jeitinho que ele era, uma pessoa que trabalhava, que adorava fazer uma festa, um churrasco e estar com os amigos”, afirma.
Para a esposa dele, Valquíria Bruschi de Souza, as batalhas do marido não são capazes de abalar o amor de uma união de mais de 30 anos.
Da maneira que pode, ao lado das filhas e do filho, ela tenta se fortalecer dia após dia e se apegar na fé para, em breve, estar junto ao esposo recuperado.
“Sempre falamos que essa luta dele não pode ser em vão. Ele vai voltar como ele era: uma pessoa alegre e brincalhona. Esperamos que as coisas possam melhorar, vir glórias, se Deus quiser” diz.
Família de Reginaldo reunida em confraternização antes da pandemia e do incêndio em Ribeirão Preto (SP)
Acervo pessoal
Impacto da Covid-19
O Dia dos Pais em 2021 para a família também será marcado pela saudade de Sebastião Bruschi, pai de Valquíria.
Vítima da Covid aos 94 anos, o sogro de Reginaldo, que morava na mesma casa que a filha e o genro, não resistiu às complicações da doença e deixou uma lacuna aberta no coração dos familiares.
Reginaldo já estava internado com coronavírus quando o sogro se foi. Companheiros, gostavam de rir e fazer piadas nos encontros familiares.
Para a filha mais velha, Jéssica, a data sem a presença do avô e com o pai internado acaba perdendo um pouco o sentido.
“Todo ano a comemoração do dia dos pais era ao lado do meu pai e do meu avô. Agora nem vamos ficar em casa. Passar a data lá sem eles não tem nenhum sentido”, lamenta.
Reginaldo e o sogro anos antes da pandemia de Covid-19
Acervo pessoal
Campanha solidária
O incêndio, ainda sem causas definidas, aconteceu no dia 28 de julho, na zona Sul de Ribeirão Preto. De acordo com os familiares, um aquecedor comprado com a ajuda de doações para proteger Reginaldo durante o frio teria sido a origem da tragédia.
Leonardo Pires Cardoso, genro do motorista aposentado, aponta que a família já havia recorrido à solidariedade de amigos para equipar o quarto do sogro com os aparelhos necessários devido à Covid, mas precisaram retomar as arrecadações após o estrago causado pelo fogo.
“Com o incêndio perdemos itens de cuidados. Então, estamos recuperando com as doações. O custo dele é bem maior que a aposentadoria e estamos pensando na continuidade do tratamento após a alta”, diz.
Incêndio pode ter começado em aquecedor na casa no Parque Ribeirão Preto, na zona Sul de Ribeirão Preto
Michelle Souza/CBN Ribeirão
Com a ajuda de amigos e conhecidos, os familiares de Reginaldo têm conseguido reestruturar o local e deixar tudo preparado para a volta, ainda sem data definida.
A esposa dele destaca que, como a demanda do marido é constante, o recebimento das doações deve continuar mesmo após a alta médica.
“A gente quer remontar tudo direitinho para estar recebendo ele de volta da melhor forma. Como ele faz uso diário de gazes, luvas, sondas, é um consumo alto e constante”, afirma Valquíria.
Para contribuir com a arrecadação, os interessados podem entrar em contato pelo telefone (16) 99274-9404. Além das doações livres, a família também conta com rifas feitas em prol do tratamento de Reginaldo. Os números podem ser comprados pelo mesmo telefone.
Cômodo onde paciente se recuperava, após incêndio em Ribeirão Preto (SP)
Acervo pessoal
*Sob supervisão de Vinícius Alves
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