Estudante sofreu trauma grave no olho causado por garrafada e passou por cirurgia. Eventos com pessoas em pé e pista de dança estão proibidos em todo o estado por causa da pandemia. Ribeirão Preto registra três casos de brigas em festas clandestinas
Um estudante de 23 anos ficou gravemente ferido no olho por causa de uma agressão durante uma festa clandestina em Ribeirão Preto (SP). Segundo a família, Vinícius Fabbri foi atingido por uma garrafada na cabeça após esbarrar em uma mesa e derrubar um litro de uísque.
A festa aconteceu na madrugada de domingo (8), na zona Leste da cidade. De acordo com o pai do rapaz, Rodrigo Fabbri, não houve discussão.
“Ele passou por um ponto que tinha umas mesas e derrubou uma garrafa de uísque. Ele pediu desculpa e um cara deu uma garrafada na cabeça dele. Não houve briga, discussão, nada.”
Fabbri afirma que os próprios amigos socorreram o jovem, que foi levado à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Norte. De acordo com o pai, o atendimento prestado no pronto-socorro ajudou a agravar o estado de saúde do filho.
“Costuraram sem radiografia, com um caco de vidro lá dentro. Na segunda-feira, vendo que estava piorando a situação, pagamos uma clínica e o oftalmo encaminhou para especialistas em retina. Esse especialista disse que a lesão foi muito grave. Ele fez uma carta e a gente levou no HC-UE”, afirma.
Vinícius Fabbri foi gravemente ferido no olho ao levar uma garrafada durante festa em Ribeirão Preto, SP
Arquivo pessoal
O estudante foi internado na Unidade de Emergência do Hospital das Clínicas e transferido para o campus, onde passou por cirurgia nesta quarta-feira (11). Exames apontam que ele teve uma laceração no órgão, que é quando o tecido é rasgado.
“A lesão é muito séria. Houve deslocamento de retina, hemorragia interna, músculos foram afetados, a retina. De princípio, disseram que a visão não seria a mesma e com a possibilidade de perder o globo ocular”, diz o pai.
Segundo Fabbri, a família localizou o autor da agressão e ele demonstrou arrependimento. “Ele se mostrou arrependido, sabe que foi um momento de explosão. A versão que ele conta confere com a dos amigos do Vinicius e a dele. Ele se arrependeu e vai pagar na justiça.”
Rodrigo Fabbri lamenta agressão contra o filho e atendimento prestado ao filho pela UPA em Ribeirão Preto, SP
Fabio Junior/EPTV
A advogada Sandra Pemporini, que representa a organizadora da festa, diz que o evento foi realizado dentro da lei, e que ela não pode ser responsabilizada por atos cometidos por terceiros.
“Independentemente da legalização do evento, o evento possuía todos os aparatos necessários para a realização de uma festa daquela natureza, o que aconteceu entre essas duas pessoas, entre agressor e vítima, foi um fato isolado. Entendemos que a organizadora não tem responsabilidade sobre os fatos ocorridos entre as pessoas.”
A Prefeitura de Ribeirão Preto informou que vai apurar o atendimento prestado na UPA a Vinícius.
Irregularidades
Um vídeo publicado nas redes sociais mostra a festa com centenas de pessoas curtindo a noite sem máscara. Por causa da pandemia de Covid-19, eventos com pessoas em pé e pistas de dança estão proibidos no estado de São Paulo até novembro.
Na madrugada de segunda-feira (9), um jovem foi espancado até perder a consciência depois de se envolver em uma briga dentro de um bar na Avenida Senador César Vergueiro, na zona Sul de Ribeirão Preto. Vídeos feitos no interior do estabelecimento e feitos por câmeras de segurança registraram as agressões. O bar também funcionava em desacordo às normas sanitárias de prevenção à Covid.
Homem é espancado em confusão de bar em Ribeirão Preto, SP
Segundo o Ministério Público, as aglomerações expõem a falta de cuidados de parte da população no combate à propagação do coronavírus e a ausência de fiscalização na cidade.
“Os órgãos incumbidos de fazer esse serviço estão falhando. Se as coisas estão acontecendo, a fiscalização não está sendo exercida a contento”, diz o promotor Marcus Túlio Nicolino.
O capitão da Polícia Militar, Jesus de Oliveira Júnior, afirma que as operações da prefeitura, responsável pelos decretos de quarentena, são acompanhadas por policiais.
“A Polícia Militar está atuando em apoio aos órgãos fiscalizadores, junto com o Ministério Público, a Fiscalização-Geral da prefeitura, e quando ela recebe os chamados via 190, ela envia as viaturas para verificar aquela aglomeração e acionar o órgão competente. Cabe salientar que funcionamento e capacidade são competência da prefeitura. APM presta suporte para que seja feita a fiscalização.”
A Prefeitura informou que está atuando em uma força-tarefa para conter eventos clandestinos e fazer cumprir o decreto e os protocolos sanitários.
Assista à entrevista com o chefe da Fiscalização-Geral:
Saiba quais tipos de evento estão liberados em Ribeirão Preto, SP, na pandemia
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