Letícia Fabbri, de 26 anos, é moradora de São Paulo e teve os pés amputados em 2018 devido à uma pneumonia bacteriana que se agravou. Ela recebeu próteses de um empresário de Sorocaba (SP). Jovem viralizou na internet com vídeos usando o humor para conscientizar as pessoas sobre deficiência física
Arquivo Pessoal
“Senti minha liberdade de volta”. Foi com essa frase que a jovem Letícia Fabri, de 26 anos, desabafou ao G1 após ganhar próteses de um empresário de Sorocaba (SP). A entrega foi feita na última sexta-feira (13).
A jovem mora em São Paulo e viralizou na internet com vídeos usando o humor para conscientizar as pessoas sobre a deficiência física. Ela teve os pés amputados em 2018 devido à uma pneumonia bacteriana, que se agravou. Atualmente, tem mais de 168 mil seguidores no Tik Tok e 114 mil no Instagram.
Em entrevista ao G1, Letícia contou que ficou dois anos em uma cadeira de rodas. Ela também perdeu a audição e a visão, mas passou por uma cirurgia nos olhos e conseguiu enxergar novamente. Hoje, faz uso de óculos e aparelhos auditivos. Para ela, receber as próteses foi emocionante.
“Fiquei dois anos em cadeira de rodas. Eu não consigo falar com palavras esse sentimento. É uma vitória, estou em êxtase e muito grata”, relata Letícia.
Doação das próteses foi feita por uma empresa de Sorocaba
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De acordo com Nelson Nolé, dono da empresa que fez a doação, em Sorocaba, ele soube da história de Letícia pela unidade da empresa em São Paulo e se sensibilizou.
Ainda segundo ele, 30% das próteses que são fabricadas são doadas para pessoas que não têm condições financeiras para pagar. Esse trabalho é feito há mais de 50 anos.
“Não há sensação melhor. Não é o que você ganha, é o que você passa para as pessoas. Hoje, nós temos diversos casos que a gente reabilita que a pessoa volta a ter uma vida normal”, conta Nelson.
A empresa atende mais de 100 crianças com fisioterapias e troca de próteses. Atualmente, Letícia está fazendo acompanhamento com fisioterapias.
Diagnóstico
Letícia tem doença autoimune chamada trombocitopenia imune primária, que é considerada rara e causa uma queda no número e plaquetas no sangue. Ela foi diagnosticada aos sete anos e, apesar da causa não ser hereditária, o pai e o irmão da jovem também foram diagnosticados com a mesma doença.
Jovem recebeu as primeiras próteses de empresa de Sorocaba
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De acordo com a jovem, em 2017, ela teve meningite e ficou 15 dias na UTI. Um mês depois, o pai de Letícia ficou mal enquanto estava trabalhando e morreu. Na época, não foi identificado que a causa fosse relacionada à doença.
Em 2018, Letícia teve uma pneumonia bacteriana que se agravou por conta de uma infecção generalizada. Ela sofreu cinco paradas cardíacas, ficou dois meses em coma e precisou passar por traqueostomia.
A jovem também teve que fazer o uso de adrenalina, mas os pés dela pararam de ter circulação sanguínea. Foi quando ela precisou amputar.
Letícia Fabri, de 26 anos, fará também fisioterapias oferecidas por empresa de Sorocaba
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“Muita gente que me segue e passou por uma amputação conseguiu encarar isso de uma forma mais leve. Eu nunca tive um problema com a doença, no começo foi muito difícil para eu me adaptar a nova condição física”, relata.
Diante da situação, Letícia não tinha condições de comprar próteses novas e uma ONG se uniu com outras duas empresas e a convidaram para participar da campanha “Lacres do Abraço” para conseguir arrecadar dinheiro para as próteses.
A ação chegou até o estádio do Morumbi e mobilizou o time do São Paulo e outros torcedores para ajudar na arrecadação.
Letícia Fabri durante a campanha de arrecadação de lacres em São Paulo
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‘Aprendi a usar isso para ajudar as pessoas’
Pela câmera do celular, a jovem conta um pouco do cotidiano em que vive. Segundo ela, a repercussão na internet a fez refletir sobre como ajudar as pessoas usando de situações ruins para mostrar o lado bom da vida.
“Quando tudo isso mudou, a minha vida mudou. Mesmo com essa situação ruim, abriram algumas portas e eu consegui fazer que muitas pessoas mudassem o ponto de vista da vida delas. Foi isso que me deu o combustível para continuar.”
Carlos Port, Homero Bellintani e Wanessa Abadié ajudaram a levar a campanha do lacre para o SPFC
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Ainda segundo ela, ao ganhar as próteses, ela pretende doar 140 cadeiras de rodas no próximo ano, que foram compradas com o valor arrecadado durante a campanha.
“Todo mundo que me manda mensagem eu sempre compartilho porque quero mostrar para as pessoas que isso não aconteceu só comigo. Pra mim foi um susto, mas hoje eu aprendi a usar isso para ajudar as pessoas”, relata.
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