Jussara Sonner é ré em uma ação civil pública de indenização por dano moral, aberta pela Prefeitura de Guarulhos, onde ela teria tomado a dose extra. O juiz do caso impôs multa de R$ 10 mil caso a mulher não apresente o documento e decretou bloqueio de R$ 50 mil nas contas bancárias dela, caso seja necessário pagamento de indenização ao final do processo. Jussara publicou o comprovante das três doses nas redes sociais.
Reprodução/ Redes Sociais
A Justiça de São Paulo determinou nesta sexta-feira (13) que a veterinária Jussara Barreira Sonner entregue em até 48 horas o comprovante da imunização da terceira dose da vacina contra a Covid-19, que ela publicou nas redes sociais dizendo que tomou por conta própria no município de Guarulhos, na Grande São Paulo.
A decisão da 2ª Vara da Fazenda Pública de Guarulhos impôs multa de R$ 10 mil por dia caso ela não apresente o documento.
Sonner é ré em uma ação civil pública de indenização por dano moral, aberta na Justiça pela Prefeitura de Guarulhos, após ter revelado nas redes sociais que tomou três doses dos imunizantes. Na ação, a prefeitura acusa a veterinária de fraudar o sistema de vacinação da cidade.
Na decisão desta sexta, o juiz também decretou a indisponibilidade de R$ 50 mil na conta bancária da veterinária para cobrir eventuais despesas da condenação no processo.
Segundo o magistrado, o bloqueio da quantia é necessário para não incentivar que outras pessoas cometam o mesmo ato.
“A farta documentação acostada com a inicial demonstra a probabilidade do direito à indenização pelos danos praticados pela ré, bem como o perigo de dano que decorre, a uma, do possível extravio do documento, a duas, que é necessário impedir que a ré tire proveito da malgrada conduta de modo a não ‘incentivar’ igual conduta de outras pessoas pela ausência de punição”, afirmou o juiz.
O G1 tentou contato com a defesa da veterinária, mas não teve sucesso.
VÍDEO: Médicos tomam 3 doses da vacina contra Covid-19 em SP
O prefeito de Guarulhos, Gustavo Henric Costa, conhecido como Guti (PSD), comentou nesta sexta a decisão da Justiça e disse ao G1 que, após a ação da veterinária, tomou providências para que o ato não se repita na cidade.
“A gente reforça que todas as nossas equipes de atenção básica foram treinadas para identificar possíveis fraudes, seja na checagem de toda documentação e também na aferição do sistema do VaciVida”, afirmou o prefeito.
Investigação criminal
Em julho, o Ministério Público de São Paulo, através da Procuradoria de Justiça de Guarulhos, requisitou à Polícia Civil a abertura de inquérito para apurar a suspeita de prática de crimes da veterinária Jussara Sonner.
Os promotores pediram à polícia que a veterinária seja investigada pelos possíveis crimes de falsidade ideológica e infração de medida sanitária preventiva, previstos no Código Penal brasileiro.
Além da investigação policial, a veterinária também é alvo de apuração da Secretaria da Justiça e Cidadania, órgão do governo do estado de SP, que anunciou em 2 de julho que investiga outras pessoas que furaram a fila da vacinação contra a Covid-19 no estado.
Na época, seis dos investigados pela secretaria também haviam tomado a terceira dose das vacinas, entre elas a veterinária de Guarulhos.
No início de julho, o Ministério Público declarou que investiga ao menos 55 casos de “fura-fila” da vacina contra a Covid-19 no estado de SP. Pelo menos 22 investigações são criminais e podem levar à prisão dos denunciados, segundo levantamento da GloboNews (veja lista aqui).
Redes sociais
Jussara Sonner foi vacinada com as duas doses da CoronaVac em fevereiro e março na UBS Vila Fátima, em Guarulhos, e tomou a dose única da Janssen na UBS Uirapuru na quarta-feira (30) por vontade própria.
Nas redes sociais, Sonner publicou o comprovante das três doses e declarou que tomou a terceira dose para se sentir “mais protegida e viajar para onde quiser”.
“Sei que nenhuma vacina é totalmente segura porque não houve tempo para a realização de testes. Mas como no início do ano tomei a vacina estava bastante incomodada com isso. Esperei o tempo necessário – 3 meses- e hoje consegui tomar a Janssen. Me sinto mais protegida e com dose única estou liberada para viajar para onde quiser”, disse ela em rede social.
Quando questionada por uma outra pessoa na publicação como tinha conseguido burlar o sistema de vacinação, Jussara informou que foi até uma Unidade Básica de Saúde (UBS) que estava sem computadores para verificar se o nome dela já constava no sistema de vacinação.
“Uma sorte, anotaram meu nome em uma folha timbrada, quando cair no sistema já será tarde”, afirmou.
Secretaria da Justiça investiga 18 pessoas que furaram fila da vacina da Covid em SP; 6 investigados tomaram três doses das vacinas;
Médicos tomam 3 doses de vacina contra a Covid-19 e Prefeitura de SP encaminha casos ao Cremesp;
São Caetano do Sul, na Grande SP, também diz que vai mandar para o fim da fila quem escolhe vacina contra a Covid;
Nas postagens que faz nas redes sociais, Jussara Sonner declara voto no presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e compartilha memes contra o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), responsável pela chegada da CoronaVac ao Brasil. 
Cartão de Jussara Sonner com a anotação das duas doses da Coronavac tomadas por ela.
Reprodução/Redes Sociais
Em nota ao G1, a Prefeitura de Guarulhos informou na época que “determinou que o caso fosse enviado ao Ministério Público Estadual para que ela seja investigada” e que “não pode fechar os olhos para abusos e fraudes que visem burlar esse sistema, ainda mais baseadas em motivações desprovidas de amparo científico que possam prejudicar grupos prioritários para a vacinação, como neste caso”.
A Secretaria Municipal da Saúde abriu um procedimento interno para apurar que tipo de falha pode ter ocorrido no sistema da UBS para que a mesma pessoa fosse vacinada duplamente com imunizantes diferentes.
Vídeos: Tudo sobre São Paulo e região metropolitana
qu, a Prefeitura de Guarulhos informou na época uque “tomou conhecimento nesta manhã das postagens da médica veterinária e imediatamente determinou que o caso fosse enviado ao Ministério Público Estadual para que ela seja investigada”.