O bebê nasceu com um terceiro braço, metade do coração e outras deformidades. A principal suspeita da equipe médica, segundo a mãe, é que o pequeno Cesar seja resultado de gêmeos siameses. Michelle, mãe do pequeno César, luta por cirurgia que removerá membro extra do bebê
Reprodução/Facebook
A mãe do pequeno César, de um ano, que nasceu com um terceiro braço, metade do coração e outras condições clínicas, está lutando para conseguir um hospital da rede pública que faça a cirurgia para remover o membro extra. O procedimento foi indicado pelos médicos até que o menino completasse um ano de vida, por conta da recuperação pós-operatória, mas até o momento eles não conseguiram.
Desde que nasceu, Cesinha – como é chamado -, já passou por cinco cirurgias, para corrigir deformidades na língua, no coração e no diafragma. O bebê nasceu com um braço extra, que tem duas mãos; metade do coração e outras deformidades, como o lado esquerdo de seu corpo diferente do lado direito.
A família vive em Praia Grande, no litoral paulista. Ao G1 neste domingo (15), a mãe do bebê, Michelle Aparecida Fondos, de 38 anos, disse que segue enfrentando dificuldades para seguir com os tratamentos do filho, mesmo tendo arrecadado cerca de R$ 80 mil para as despesas com consultas e planos de saúde. “Dois convênios recusaram ele”, contou.
Ela relata que o único convênio particular que conseguiu para o filho tem carência de dois anos e, por conta disso, ainda não conseguiu a cirurgia de remoção do membro. “Disseram que podemos esperar a carência. Estou tentando pelo SUS, mas está difícil”, lamenta. Pela rede particular, a cirurgia custaria cerca de R$ 182 mil.
O bebê foi incluído na Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (Cross) de Santos na última semana, quando a mãe conseguiu uma consulta para o filho. Agora, eles aguardam retorno para que o bebê seja encaminhado a uma unidade de saúde que ofereça o procedimento.
Aniversário de um ano
Cesinha completou um ano de idade na última quinta-feira (12), mesmo sendo desenganado pelos médicos. A mãe ouviu da equipe médica, por vários meses, que ele não sobreviveria por tanto tempo. No entanto, desde a última cirurgia, no início do ano, o bebê tem aparentado melhora, apesar de ter tido o desenvolvimento retardado pelas condições clínicas.
Mesmo assim, a mãe não celebrou o aniversário do filho, por conta dos receios que ainda tem com as condições clínicas do pequeno e as importantes procedimentos cirúgicos pelo qual ele ainda precisa ser submetido.
“A gente não tem o que comemorar […]. Quando a gente conseguir a cirurgia do bracinho, a gente comemora. Quando ele sair e ele sobreviver, aí a gente comemora”, desabafa a mãe.
Coração pela metade
A principal suspeita da equipe médica, segundo a mãe, é que Cesar seja resultado de gêmeos siameses, e que o organismo de um combateu o outro, sobrando apenas alguns membros. No entanto, essa hipótese só poderá ser confirmada ou descartada com o resultado de um exame genético, que ainda será feito.
Além disso, ele tem a Síndrome da Hipoplasia do Coração Esquerdo e deverá passar, entre os 4 e 6 anos de idade, por uma cirurgia que definirá se Cesinha precisará ainda de um transplante de coração ou não.
A condição acontece quando uma parte do coração não se desenvolveu completamente, conforme explica Beatriz Furlanetto, cirurgiã cardíaca pediátrica que atendeu ao bebê na Beneficência Portuguesa de São Paulo, no início do ano. Ela explica que, no caso de Cesar, a válvula direita do coração é fechada, interrompendo a comunicação entre os dois lados.
Assim, a circulação do sangue dele acontecia de forma totalmente anormal, utilizando outros caminhos e necessitando de cirurgia para correção. “Essa cardiopatia é muito grave, e a cirurgia é bastante delicada”, explica. Cesar já fez três cirurgias no coração para a correção do problema e, daqui alguns anos, fará outra.
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