Fiscalização do Governo Federal encontrou salas sendo usadas para atendimentos não previstos na unidade. Prefeitura garante que prédio não vai ser fechado e culpa pandemia por paralisação nas adequações. UPA Taquaritinga
Maurício Glauco/ EPTV
O Ministério da Saúde suspendeu o repasse financeiro de R$ 100 mil por mês à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) 24 horas Dr. Wilson Roberto Alves Rodrigues, a única de Taquaritinga (SP). A medida foi publicada no Diário Oficial da União no início de novembro.
Segundo a pasta, foram encontradas irregularidades durante visita técnica em agosto de 2019. A Prefeitura, gestora da unidade, foi notificada na época e ao longo de 2020, sendo a última notificação em setembro.
“Como não houve resposta por parte do gestor, os recursos foram suspensos”, informou em nota o Ministério da Saúde.
Procurada, a Secretaria Municipal de Saúde de Taquaritinga disse que as adequações previstas começaram a ser feitas no ano passado, mas foram paralisadas em virtude da pandemia de Covid-19, pois o prédio precisou ser adaptado para acolher os pacientes suspeitos e confirmados da doença.
A pasta municipal informou que a UPA não será fechada e que o Executivo fará o custeio das operações, mas vai recorrer para ter o recuso de volta. Por ano, a Prefeitura gasta cerca de R$ 15 milhões com a unidade. O repasse federal anual é de R$ 1,2 milhão.
Pandemia freou adequações
A UPA de Taquaritinga atende cerca de 350 pacientes por dia e foi habilitada para custeio federal em julho de 2014.
No ano passado, durante visita técnica, a equipe do Ministério da Saúde, encontrou salas sendo usadas para outras finalidades não previstas para a unidade, como um ambulatório de gestante e salas para pequenas cirurgias.
Um relatório foi feito e enviado à Secretaria Municipal de Saúde, que, segundo o secretário José Fonseca Neto, começou a fazer as adequações. No entanto, em fevereiro de 2020, por conta da Covid-19, os reparos tiveram que parar.
“Quando chegou a pandemia, eu tinha que montar uma ala vermelha para combater a Covid-19, tive que montar uma ala com equipamentos de respiração. A gente cancelou essa situação das notificações e demos prioridade para a Covid. E faríamos tudo de novo. Eu não vou deixar nunca de utilizar uma ala daquela pensando em uma verba de R$ 100 mil por mês”, afirma.
O secretário também falou que, quando inaugurado, o prédio era muito grande para a cidade e que não havia recursos humanos para compor todas as alas. Por isso, o ambulatório de gestante da Prefeitura e a sala de pequenas cirurgias migraram para lá.
“Para você tirar o ambulatório do lugar, não demora uma semana. Você precisa de uma unidade, tem toda uma estrutura. Quando chegou a pandemia, a UPA foi utilizada de acordo com a necessidade da cidade”, diz Fonseca Neto.
Hoje, a UPA de Taquaritinga tem três alas separadas para atendimento da Covid-19: vermelha, amarela e infantil. O secretário José Fonseca Neto afirmou que, ao término da pandemia, as adequações solicitadas pelo Ministério da Saúde serão finalizadas.
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