Não há previsão de reabertura do local que guarda o maior acervo audiovisual do país. Governo federal assumiu gestão da Cinemateca em agosto após Associação Roquete Pinto entregar as chaves da instituição e demitir funcionários. Cinemateca Brasileira vai ser gerida pela Secretaria Nacional do Audiovisual da Secretaria Especial de Cultura do Ministério do Turismo
Tatiana Santiago/G1
Três meses após reassumir a Cinemateca Brasileira, o governo federal repassou temporariamente a coordenação das atividades para o Ministério do Turismo, que ficará responsável pela manutenção do espaço que guarda a maior acervo de produção audiovisual do país na Vila Clementino, na Zona Sul de São Paulo.
O decreto do dia 20 de novembro foi publicado no Diário Oficial da União desta segunda-feira (23).
A nova estrutura governamental é temporária e válida até o dia 5 de outubro de 2021. A gestão da Cinemateca Brasileira caberá à Secretaria Nacional do Audiovisual da Secretaria Especial de Cultura do Ministério do Turismo até a seleção de uma nova Organização Social (OS). De acordo com o governo, a expectativa é que o processo seletivo para a contratação da OS seja concluído ainda no primeiro semestre de 2021. Por enquanto, não há previsão de reabertura para o público.
Desde março de 2018, a Cinemateca era gerida por uma OS vinculada ao Ministério da Educação.
Em agosto, os 52 funcionários da Cinemateca foram demitidos pela Associação Comunicação Educativa Roquette Pinto (Acerp). Na ocasião, em comunicado que circulou internamente, a direção da Acerp explicou que a medida ocorreu devido à grave crise financeira e acrescentou que a Justiça negou o pedido que fez para que o governo pagasse os R$ 14 milhões prometidos anteriormente para o orçamento da Cinemateca em 2020.
Cinemateca Brasileira continua fechada
A entidade afirmou ainda que, no dia em que a comitiva do governo veio a São Paulo, insistiu para que o secretário adjunto do Audiovisual mantivesse ou recontratasse os funcionários, mas, infelizmente, não obteve nenhum compromisso disso.
Em julho, o Ministério Público Federal entrou com uma ação na Justiça contra a União por abandono da Cinemateca Brasileira. O contrato de gestão com a Associação de Comunicação Educativa Roquete Pinto (Acerp) terminou no dia 31 de dezembro de 2019 e, desde então, não houve nova licitação.
Veja o que o governo diz ter feito para preservar o acervo da Cinemateca
vigilância e segurança física e patrimonial desarmada;
prevenção e combate a incêndio, evacuação de área e à prestação de primeiros-socorros para proteção à vida e ao patrimônio, por meio de Bombeiro Civil – Brigada de Incêndio;
manutenção da climatização, refrigeração, supervisão e controles da Cinemateca Brasileira
controle de Pragas Urbanas
limpeza, higienização, desinfecção e conservação de bens móveis e imóveis, serviços de jardinagem e limpeza de vidros e fachadas externas
conservação predial e arquitetônica
manutenção de elevadores
fornecimento e distribuição de energia elétrica
abastecimento de água, esgotamento sanitário e outros serviços para as dependências da Cinemateca Brasileira
Governo Federal assume a gestão da Cinemateca Brasileira
Cinemateca
A Cinemateca Brasileira surgiu em 1946, quando foi montado o Segundo Clube de Cinema de São Paulo. Foi o resultado do fechamento do Primeiro Clube de Cinema, em 1941, durante a repressão da ditadura pelo Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP).
Em 1961, a Cinemateca Brasileira tornou-se fundação, o que permitiu estabelecer convênios com o poder público. Mas só em 1979, a Cinemateca inaugurou um Centro de Operações que se dedicava aos trabalhos de documentação e pesquisa sobre cinema.
Ela guarda mais dede 250 mil rolos de filmes e mais de um milhão de documentos relacionados ao cinema, como fotos, roteiros, cartazes e livros, entre outros. Segundo a instituição, é o maior acervo de imagens em movimento da América Latina.
A cinemateca sofreu quatro incêndios em sua história. O mais recente foi em 2016 e destruiu cerca de 500 obras.
Cinemateca Brasileira possui o maior acervo de imagens em movimento da América Latina
Alf Ribeiro/Estadão Conteúdo