Ela e o filho também foram contaminados com o vírus, mas tiveram sintomas leves. Internação ocorreu em momento de colapso da saúde após o aumento de casos no país. Família venceu a Covid-19 e segue realizando tratamentos “pós-Covid” em São Vicente, SP
Arquivo Pessoal
Após desenvolver crises de pânico e problemas de ansiedade ao ver o marido sendo internado por complicações da Covid-19, uma professora de Educação Física relatou alegria de ver a família superar a doença após ela, o marido e o filho serem contaminados, em São Vicente, no litoral paulista. Em entrevista ao G1 neste domingo (15), ela relatou que foi diagnosticada com as sequelas emocionais em um tratamento “pós-Covid”.
A professora Fabiana Carolino, de 38 anos, junto a seu marido de 57 anos e o filho de 10 anos, Marcelo e Enzo Carolino, foram diagnosticados com coronavírus no dia 11 de março deste ano. Ela já estava vacinada com as duas doses da vacina contra o vírus, por ter a profissão contemplada no calendário de vacinação da época, tendo apenas sintomas leves, assim como o filho.
O marido, que é motorista, no entanto, ainda não havia se vacinado, por não ter a idade contemplada no momento e não ter laudo da comorbidade que possuía. Alguns dias após o diagnóstico, Marcelo estava em casa, no dia 16 de março, quando começou a convulsionar e desmaiou, devido à alterações da pressão dele. Na primeira vez em que passou mal, ele foi encontrado pelo filho.
O homem foi levado a um hospital de São Vicente, medicado e liberado. Nos dois dias seguintes, as convulsões voltaram a acontecer, deixando a família preocupada. Eles voltaram ao hospital, porém, na época, o sistema de saúde de várias cidades da Baixada Santista, região do litoral de São Paulo, estava em colapso devido ao aumento de casos de internações. Ela tentou conseguir vagas em cidades vizinhas, sendo que duas recomendaram uma internação à domicílio.
Devido às convulsões, Fabiana não aceitou a indicação e, após um dia inteiro tentando, conseguiu uma vaga para o marido na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Dr. Matheus Santamaria, a UPA Rodoviária, em Guarujá, no dia 19 de março. “Depois que ele internou, eu não tinha contato, só por chamada de vídeo”, explica.
No dia 26 de março, o motorista recebeu alta médica e, junto à esposa, passou a realizar um tratamento “pós-Covid” no município em que moram. A mulher destaca que todo o tratamento da doença foi realizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), que prestou um ótimo atendimento, mas estava sobrecarregado de casos na época.
Sequelas emocionais
Fabiana desenvolveu sequelas emocionais após o marido ser internado por complicações do coronavírus, em São Vicente, SP.
Arquivo Pessoal
A pressão do morador de São Vicente só se estabilizou há 20 dias, porém, além de uma sensação de cansaço, ele não ficou com sequelas graves. Já a esposa acabou desenvolvendo alguns problemas emocionais, sendo diagnosticada por um psiquiatra com crises de pânico e ansiedade.
Para Fabiana, as sequelas são o resultado de um período de desespero em que ela não tinha como ajudar o marido e não sabia se voltaria a vê-lo novamente. “Toda a situação, os ataques epiléticos, ficar longe dele. Eu perguntava se estava tudo bem, mas o médico dizia que não podia dizer, porque a Covid é imprevisível.
Então o fato de não conseguir a internação no início, a questão da pressão dele que oscilava muito, tudo influenciou. Mesmo voltando para casa, a gente ficava com medo de que tudo voltasse, então isso me abalou muito”, conta.
A profissional de Educação Física esclarece que, no período da internação do marido, a irmã dela ficou com o filho, Enzo, mesmo ele estando com a doença, para que a criança não visse toda a situação. Desta forma, quando ela chegava em casa, estava sozinha e sentia sensação de desespero.
“Pensava se ia vê-lo de novo, se meu filho teria o pai de volta. Chegava em casa e chorava muito, me desesperava e esperava ansiosa o médico ligar para passar o quadro dele. Era desesperador, eu até desligava a televisão, porque via muitos casos de morte, mas sabia que cada organismo reagia de uma maneira à doença”, diz.
Ela conta que sentia o coração acelerar, tremores e falta de ar desde o dia da internação do esposo, que se intensificavam ao receber ligações dele dizendo que não se sentia bem. Desde que foi diagnosticada com as sequelas, em junho, Fabiana segue sendo acompanhada pelo município, tomando as medicações necessárias e recebendo apoio da equipe médica para tratar os problemas desenvolvidos.
Nova visão
Família celebra recuperação após contaminação pela Covid-19, em São Vicente, SP.
Arquivo Pessoal
Após dias de desespero e medo, a família passou a ser ainda mais unida e a celebrar a presença um do outro. No dia 4 deste mês, o motorista tomou a segunda dose da vacina contra a Covid-19 e família celebrou mais um ano de vida do homem juntos no início deste mês.
“A comemoração do aniversário foi muito significativa, porque a gente vê que o lado material não é nada perante a vida. Eu tendo dinheiro ou não, estava todo mundo igual, vi que a vida, a saúde, não se compram. Agora estamos mais unidos, dando mais valor à oportunidade de estarmos juntos, porque isso vale muito mais do que qualquer outra coisa”, conclui.
VÍDEOS: G1 em 1 Minuto Santos