De acordo com o Corpo de Bombeiros, nenhum incêndio de grandes proporções foi registrado no município, mas há suspeita de que a fumaça foi provocada pelo conjunto de queimadas que ocorreram na região. São José do Rio Preto (SP) amanheceu coberta por fumaça
Reprodução/TV TEM
São José do Rio Preto (SP) amanheceu nesta terça-feira (17) coberta por fumaça e com cheiro forte de queimada.
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De acordo com o Corpo de Bombeiros, nenhum incêndio de grandes proporções foi registrado no município. Contudo, a corporação acredita que a fumaça foi provocada pelo conjunto de queimadas que ocorreram na região na segunda-feira (16).
Neste ano foram registrados quase 1 mil incêndios na região; o número é considerado 30% maior que no mesmo período de 2020. Já em Rio Preto a ocorrência de queimadas aumentou em 300%.
Qualidade do ar em Rio Preto (SP) está classificada como ‘muito ruim’ no site da Cetesb
Cetesb/Divulgação
A estação de monitoramento da qualidade do ar da Cetesb apontou que Rio Preto registrou 203 microgramas de material particulado fino por metro cúbico de ar na manhã desta terça-feira, enquanto o recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) é de apenas 10 microgramas.
Por causa dos dados, Rio Preto foi classificada no site da Cetesb como município com qualidade do ar “muito ruim”, assim como Ribeirão Preto (SP).
Por causa da estiagem e queimadas, a umidade do ar está baixa no município. O Centro Integrado de Informações Agrometeorológicas (Ciiagro) registrou que nos últimos dias a umidade ficou abaixo de 20% na região, o que é considerado estado de alerta com riscos para a saúde.
São José do Rio Preto (SP) amanheceu coberta por fumaça
Heloísa Casonato/G1
Poluição do ar mascara aquecimento global
A poluição do ar mascara o aquecimento global nos grandes centros urbanos e gera o efeito positivo de resfriamento do clima, de acordo com o mais recente relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU (IPCC, sigla em inglês) publicado na no dia 9 de agosto.
“Mascaram 0,5°C do aquecimento. Então se as mudanças climáticas causadas pelos seres humanos levaram a um aumento de 1,1°C na temperatura do planeta e existe esse mascaramento, o aumento é de 1,6°C nos centros urbanos”, explicou o cientista Paulo Artaxo, professor titular do Instituto de Física da USP.
O estudo esclarece que mudança climática e qualidade do ar estão intimamente relacionadas, sendo a primeira um resultado da emissão de gases que impactam a atmosfera por séculos, enquanto a segunda é impactada por emissões cujos efeitos têm escala de tempo mais curta, durando dias ou anos, e, por isso, têm efeitos mais regionais.
Relatório da ONU aponta ação humana no aquecimento global
Perspectiva: 9 pontos do impacto
Abaixo, veja nove pontos do impacto do aumento da temperatura global na vida na Terra, segundo o relatório do IPCC:
A temperatura da superfície terrestre subiu mais rapidamente desde 1970 do que em qualquer outro período de 50 anos visto nos últimos 2 mil anos;
As ondas de calor se tornaram mais frequentes e mais intensas em quase todos os continentes do planeta desde 1950, enquanto frios extremos se tornaram menos frequentes e menos severos;
Nas últimas 4 décadas, houve um aumento da proporção de ciclones tropicais;
A influência humana aumentou a chance de eventos extremos desde 1950 e isso inclui a frequência da ocorrência de ondas de calor, secas em escala global, incidência de fogo e inundações.
Em 2019, a concentração de CO² na atmosfera era maior do que em qualquer outro momento nos últimos 2 milhões de anos e a concentração de metano e óxido nitroso era a maior em 800 mil anos;
As ondas de calor marítimas ficaram aproximadamente duas vezes mais frequentes desde 1980;
Entre 2011 e 2020, a área média de gelo no Ártico atingiu seu número mais baixo desde pelo menos 1850 e era, no final do verão, menor do que em qualquer época nos últimos mil anos;
O recuo das geleiras – com uma redução sincronizada em qualquer todas as geleiras do mundo desde os anos 50 — é sem precedentes pelo menos pelos últimos 2 mil anos;
O nível médio do mar aumentou mais rápido desde 1900 do que em qualquer século em pelo menos nos últimos 3 mil anos.
Vista da Marginal Tietê junto à Ponte da Freguesia do Ó, na zona norte de São Paulo, com destaque para a poluição do ar, na tarde desta quinta-feira, 17 de setembro de 2020.
Daniel Teixeira/Estadão Conteúdo/Arquivo
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