Corridas de até 4 km são canceladas por motoristas frequentemente, de acordo com usuários. Motoristas reclamam que alta do preço da gasolina e taxas das empresas tornam algumas corridas inviáveis. Usuários de transporte por aplicativo têm reclamado que não estão conseguindo um motorista para corridas em São Paulo. Os próprios motoristas cancelam a corrida assim que conseguem visualizar a região para onde é a corrida.
A reportagem do SP1 esteve no Aeroporto de Congonhas, Zona Sul da capital paulista, às 7h30.
Os passageiros se amontoavam na calçada à espera dos carros de aplicativos. O estudante Alberto Andrade esperava um carro com a mãe e as tias. Eles iriam para a Bela Vista, no Centro. “Simplesmente cancela e já passa para outro motorista, assim já foi o segundo, o terceiro no caso”, afirma. Alberto espera meia hora até que o motorista Alexsandro aparece.
“Agora como o combustível aumentou você tem que ver o valor das corridas também porque às vezes não compensa fazer a viagem”, afirma.
Muitos passageiros menos pacientes desistem da espera e pegam um táxi no ponto ao lado, de acordo com o taxista Humberto Barbosa.
“Está aumentando aos poucos para nós porque eles recusam a corrida aí vem tudo pra nós”, afirma.
Dois produtores do SP1 tentaram pegar um carro por aplicativo no bairro do Brooklin entre 17h e 18h para ir ao Sacomã, na Zona Sul.
Depois de 35 minutos de espera, um motorista aceitou a corrida, mas após deixar um passageiro nas proximidades, ele cancelou a corrida. Em dois dias pelo menos cinco motoristas recusaram os R$ 42 reais da corrida.
Os motoristas que toparam o serviço explicam por que está tão difícil conseguir um carro de aplicativo.
“Eu tenho convicção que é pelo valor. Os aplicativos atualmente estão baixando muito os valores e a taxa já é extremamente alta, então o que acontece. Tem um congestionamento gigantesco, considerável já né? E aí quando você pega uma viagem promocional você perde muito tempo no trânsito e não compensa. O combustível muito alto, os valores crescentes dia a dia, já subiu novamente essa semana, então eu atribuo a essa situação”, afirma.
E o problema não é só na Zona Sul da cidade. Em outras regiões, passageiros também têm tido dificuldade. É o caso da secretária Fernanda Sampaio.
“É muito difícil, eu tenho que ficar às vezes 20 minutos esperando um motorista que está há 15 minutos pra chegar e o meu pai mora no interior de São Paulo, na região de Cajamar e toda vez que eu estou lá é impossível de conseguir e se eu consigo é um valor muito alto e a gente acaba as vezes deixando pra lá”, afirma.
O presidente do sindicato dos trabalhadores com aplicativos diz que há uma insatisfação da categoria, principalmente com o valor do repasse que recebem.
“A tarifa não aumenta há 6 anos, ela não é repassada para o trabalhador, o cliente recebe o aumento, porém o trabalhador vem com esse desgaste ano em ano e as empresas não chamam para negociar”, afirma.
“Hoje eles cobram aí de 25% a 49% a tarifa de um trabalhador, ele gasta muito com porcentagem mandando pra empresa, com insumo e o que sobra mal paga a conta.”
A Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec) disse que os parceiros podem escolher livremente os dias e horários que preferem atuar, podendo ligar ou desligar os aplicativos a qualquer momento.
De acordo com a associação, o que tem provocado o maior tempo de espera é o aumento da demanda por corridas, levando a um desequilíbrio temporário entre a oferta e a demanda, mas as empresas ligadas a Amobitec estão, segundo ela, implementando medidas para tentar atender essa demanda.
Sobre os ganhos, a Amobitec disse que cada corrida leva em conta a distância total, o tempo necessário para os deslocamentos, incluindo as condições de trânsito e congestionamentos, além da demanda por viagens no horário e local específicos.
Sobre os cancelamentos, disse que os motoristas podem cancelar viagens quando julgarem necessário e que logo é escolhido um outro motorista.
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