Paulo Roberto Gomes Fernandes relembra que a Feira de Óleo e Gás do Turcomenistão encerrou sua edição de 2016 com forte destaque para projetos de infraestrutura energética que redesenharam o mapa do transporte de gás natural na Ásia Central e ampliaram o interesse europeu na região. O segundo e último dia do evento foi concluído com um jantar de gala que reuniu empresas participantes, investidores internacionais e autoridades convidadas a integrar dois megaprojetos de gasodutos, um direcionado à Índia e outro à China.
Tratava-se de empreendimentos de escala continental, planejados para mobilizar milhares de trabalhadores e centenas de fornecedores ao longo de extensas rotas que atravessariam ou contornariam cadeias montanhosas complexas, envolvendo países como Afeganistão, Paquistão, Índia e China. Ao longo do dia, foram realizados debates técnicos de alto nível, reunindo especialistas em dutos, energia e construção pesada, além de representantes governamentais dos países diretamente envolvidos nos corredores energéticos em discussão.
Projetos de grande escala e debates técnicos
Os painéis técnicos abordaram os desafios de engenharia associados à construção de longas malhas de gasodutos em terrenos montanhosos, zonas sísmicas e regiões de difícil acesso logístico. Os projetos apresentados previam soluções inéditas para lançamento de dutos, cruzamento de túneis extensos e adaptação a ambientes confinados, temas que atraíram grande atenção de operadores, construtoras e fornecedores de tecnologia.
Nesse contexto, Paulo Roberto Gomes Fernandes destacou que a empresa brasileira Liderroll foi convidada a participar das discussões iniciais, levando à feira a experiência adquirida no Brasil em projetos complexos de lançamento de dutos em túneis. Um dos gasodutos em estudo, que ligaria o Turcomenistão à Índia, atravessando o Afeganistão e o Paquistão, previa no projeto básico a construção de dezenas de quilômetros de túneis, considerados pontos críticos para a viabilidade técnica do empreendimento.
Reuniões estratégicas e confidencialidade
O dia também foi marcado por uma intensa agenda de reuniões diretas entre executivos das empresas envolvidas nos projetos. Estiveram presentes representantes de grandes grupos internacionais de energia, engenharia, tecnologia e serviços, além das companhias estatais do setor de gás do país anfitrião. As conversas ocorreram sob rígidas regras de confidencialidade, comuns em projetos dessa magnitude.

Convidado oficialmente pelo governo local, Paulo Roberto Gomes Fernandes, presidente da Liderroll, acompanhou as reuniões técnicas e institucionais realizadas na capital Asgabate. Em função dos acordos de sigilo firmados entre os participantes, ele limitou seus comentários públicos, ressaltando apenas a complexidade e a relevância estratégica dos projetos para a região e para os países envolvidos.
Diversificação de rotas e interesse europeu
Além do eixo asiático, outro ponto central da feira foi a estratégia do Turcomenistão de diversificar rotas de exportação de gás natural e reduzir a dependência de poucos mercados consumidores. Nesse sentido, ganhou destaque o projeto do gasoduto Trans-Cáspio, concebido para atravessar o Mar Cáspio, seguir pelo Cáucaso até a Turquia e, a partir daí, conectar-se a corredores já existentes em direção à Europa mediterrânea. A capacidade projetada desse gasoduto era de cerca de 45 bilhões de metros cúbicos por ano, posicionando o país como uma potencial alternativa ao gás russo para a União Europeia.
Paulo Roberto Gomes Fernandes frisa que outro projeto estruturante apresentado foi o gasoduto TAPI, ligando Turcomenistão, Afeganistão, Paquistão e Índia, com capacidade estimada de 34 bilhões de metros cúbicos anuais. Ambos os empreendimentos foram tratados como pilares de uma nova fase da política energética turcomena.
Crescimento da indústria de gás no país
Durante o evento, autoridades destacaram que a indústria de gás do Turcomenistão vinha crescendo a taxas próximas de 10% ao ano na década anterior. As projeções oficiais indicavam que, até 2030, o país poderia alcançar uma produção anual de 230 bilhões de metros cúbicos, ampliando significativamente sua carteira de clientes internacionais.
Paulo Roberto Gomes Fernandes avaliou que a maior parte da produção estava concentrada na região sul da Bacia do Cáspio e no oeste do país, enquanto as maiores reservas se localizavam na província de Mary, no leste. Campos como Dauletabad e Bagtyiarlyk figuravam entre os principais polos produtores, sustentando a ambição do Turcomenistão de se consolidar como um dos grandes atores globais no mercado de gás natural.
Autor: Mikhail Ivanov



