Uma audiência pública realizada nesta sexta-feira, 17, na Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados reuniu parlamentares, representantes de entidades e do governo para debater sobre a situação da Cinemateca brasileira. Um galpão da instituição em São Paulo, com um dos maiores acervos da cultura brasileira, pegou fogo no dia 29 de julho deste ano. A representante do movimento dos trabalhadores da Cinemateca, Rosa de Souza, disse que o governo foi alertado para o risco de incêndio. Segundo ela, a crise começou em 2013, quando muitos funcionários foram demitidos e acidentes começaram a ser registrados. “Em 2016, com pouquíssimos trabalhadores na instituição, parte do acervo de nitrato de celulose pegou fogo devido à auto combustão. O incêndio foi consequência direta da falta de revisões periódicas e das rotinas de acompanhamento do acervo. Em 2020, uma enchente na Leopoldina atingiu outra parte dos acervos fílmico, de equipamentos e não fílmico”, afirmou.

Para a deputada Benedita da Silva (PT), o incêndio foi resultado do descaso do governo federal com a instituição, uma vez que a Cinemateca ficou um ano sem receber repasses, tempo em que trocou de gestão com o fim do contrato da organização social que geria o local, voltando para a responsabilidade do governo. Um momento de transição, não se faz apenas com uma intervenção, é com o diálogo com os servidores, se tem que ter alguma mudança”, disse, considerando o caso como um “crime contra a humanidade”. O diretor do departamento de políticas audiovisuais da secretaria especial da cultura, Hélio Ferraz, negou descaso por parte da União já que a Cinemateca passava por uma reforma do sistema de climatização quando ocorreu o incêndio, obra que teve investimento de mais de R$ 1 milhão. Ele explicou que, no rompimento do antigo contrato com a organização social que geria a entidade, as chaves não foram entregues de imediato ao governo.

“Esse estudo tão logo foi concluído, foi apresentado o edital e iniciou-se o processo de chamamento. Há uma dedicação e um empenho por parte desta Secretaria Especial da Cultura e por parte do secretário especial Mário Frias em relação a isso e não há nenhum descaso, pelo contrário. Ao mesmo tempo, estamos tramitando e acredito que em vias da assinatura de uma doação de serviços para recolocação imediata dos trabalhadores finalísticos em um total de, se não me engano, 42 colaboradores”, disse. A nova organização social deve assumir a gestão da cinemateca em dezembro.

*Com informações da repórter Carolina Abelin