Desde a sua fundação em 2017, uma empresa do ramo da construção civil localizada no bairro do Sacomã abriu as portas para moradores de Heliópolis, maior favela de São Paulo, zona sul da capital
. Hoje, 22 dos 39 funcionários são da comunidade. Bruno Silva, fundador da empresa, exalta que os contratados agarraram a oportunidade, principalmente no período da pandemia
. “Para mim é só vantagem trabalhar com o pessoal da comunidade, principalmente por esse requisito: eles enxergam uma oportunidade, que eles têm um pouco mais de dificuldade no mercado. Por enxergar uma oportunidade, o empenho, o gás, a disposição que eles têm para trabalhar para gente, para dar resultado, para valorizar, se manter aqui com a gente, é muito acima da média. Então, realmente, vale muito a pena, quanto em números, quanto para o ambiente, para o setor, para a empresa”, afirma.

Leôncio Borges, 33, trabalha como vendedor nessa empresa do ramo de construção
 Natural da Bahia, ele veio pra capital paulista com a família aos cinco anos de idade. Todos se instalaram em Heliópolis. Com os prêmios individuais que ganhou no trabalho, Leoncio se mudou há pouco da comunidade com a esposa e a filha de oito anos. “É uma forma de motivar. Além do nosso salário há uma premiação que é em dinheiro e conta bem, ajuda a gente, ainda mais nessa fase da pandemia, a empresa não fechou as portas para a gente”, diz.

Moradora de Heliópolis desde que nasceu, Taynara Nunes, 24, trabalha numa distribuidora especializada em produtos para pet shop há quatro anos.Ela começou como auxiliar de produção e recentemente foi promovida para auxiliar comercial.”Na pandemia, o quadro de funcionários foi reduzido. Alguns funcionários trabalharam em home office. Num certo dia, o meu patrão decidiu me dar uma oportunidade de entrar no comercial, uma coisa inovadora, eu nunca tinha trabalhado assim e ele me deu uma oportunidade. Já faz quase um ano que estou no posto”, conta Taynara. Segundo dados do último Censo realizado em 2010, Heliópolis abriga cerca de 200 mil habitantes, sendo 51% da população formada por jovens de até 25 anos. Pessoas como Taynara que buscam inserção no mercado de trabalho.

*Com informações do repórter Victor Moraes.