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Emagrecer rápido é sempre pior? Lucas Peralles explica o que a ciência diz sobre o ritmo ideal de perda de peso

Diante da ansiedade por resultados rápidos, muitos pacientes perguntam se existe um limite de velocidade saudável para perder peso, ou se, na prática, quanto mais rápido, melhor. Lucas Peralles, nutricionista esportivo e fundador do Método LP, aponta que a resposta da ciência é mais nuançada do que qualquer regra fixa, e que compreender essa nuance evita tanto expectativas irreais quanto decisões que comprometem a composição corporal a longo prazo.

Uma revisão que reuniu treze estudos comparando perda de peso rápida e gradual, com ritmos que variaram entre 0,2 e 3,2 quilos por semana, mantendo o mesmo percentual total de peso perdido em cada comparação, chegou a uma conclusão que surpreende muita gente: durante a fase ativa de emagrecimento, ritmos mais rápidos tendem a preservar relativamente mais massa magra e perder relativamente mais gordura do que ritmos mais lentos, ainda que às custas de uma queda mais acentuada no gasto energético em repouso.

Por que perder peso rápido demais nem sempre é a pior escolha?

Esse achado contraria a crença popular de que emagrecimento rápido necessariamente sacrifica músculo em favor de gordura. Na prática, durante a fase de restrição calórica ativa, dietas mais agressivas parecem preservar proporcionalmente mais massa livre de gordura, possivelmente porque o corpo prioriza a manutenção de tecido metabolicamente ativo diante de um sinal mais intenso de escassez energética.

Ao mesmo tempo, essa mesma revisão identificou que a queda no gasto energético em repouso é mais pronunciada justamente nos protocolos de perda rápida, um efeito conhecido como adaptação metabólica. Tal como menciona Lucas Peralles, esse detalhe é crucial, porque significa que o benefício aparente de preservar massa magra durante a fase rápida vem acompanhado de um metabolismo mais desacelerado, o que exige estratégia ainda mais cuidadosa na fase seguinte de manutenção, um ponto sempre reforçado durante o acompanhamento na Clínica Peralles.

O que acontece depois que a dieta termina, quando o peso precisa ser mantido?

Aqui está talvez o dado mais relevante de toda essa linha de pesquisa: passadas apenas duas a quatro semanas de estabilização no novo peso, as diferenças entre ritmo rápido e ritmo lento praticamente desaparecem, tanto na composição corporal quanto na velocidade e no volume de reganho de peso observado entre nove e trinta e três meses depois. Em outras palavras, o ritmo escolhido durante a fase ativa de emagrecimento parece ter menos impacto no resultado final do que se costuma supor, desde que o processo seja bem conduzido.

Lucas Peralles
Lucas Peralles

Isso não significa, porém, que o ritmo seja irrelevante na prática clínica cotidiana. Conforme explica Lucas Peralles, dietas extremamente restritivas, associadas a perdas superiores a um quilo por semana de forma sustentada, tendem a ser mais difíceis de manter psicologicamente, aumentando o risco de abandono precoce antes mesmo que qualquer diferença metabólica se manifeste. Na avaliação do fundador do Método LP, a pergunta relevante não é apenas “qual ritmo preserva mais músculo”, mas “qual ritmo esse paciente específico consegue sustentar sem desistir no meio do caminho.

Existe algum risco real associado à perda de peso muito acelerada?

Sim, e vale a pena conhecê-lo: pesquisas mostram que a perda rápida de peso está associada a maior perda de densidade óssea, com alguns estudos apontando o dobro de perda óssea em protocolos rápidos comparados a protocolos graduais, o que aumenta o risco de fragilidade e fraturas ao longo do tempo, especialmente relevante para pacientes de maior idade ou já com fatores de risco para osteoporose. Convém lembrar que a primeira semana de qualquer dieta mais restritiva costuma incluir queda acentuada no peso, de três a cinco quilos, que, na maior parte, é água corporal e glicogênio, e não gordura, um detalhe que gera expectativas irreais quando o ritmo naturalmente desacelera nas semanas seguintes.

Lucas Peralles afirma que esse aspecto, muitas vezes negligenciado, é a principal causa da frustração relatada por pacientes que veem a desaceleração do processo como um indicativo de que “algo parou de funcionar”. Na realidade, o processo apenas passou da fase de perda de líquidos para a fase efetiva de queima de gordura, que é naturalmente mais lenta. Portanto, ao explicar essa transição desde o início do acompanhamento, é possível evitar grande parte da ansiedade que geralmente aparece na terceira ou quarta semana de qualquer processo de emagrecimento.

Qual ritmo a ciência sugere como ponto de equilíbrio mais sustentável?

Diante desse conjunto de evidências, um déficit calórico diário entre trezentas e quinhentas calorias, produzindo perda de meio a um quilo por semana, aparece consistentemente como faixa que favorece boa preservação de massa magra sem os riscos ósseos e a dificuldade de adesão associados a déficits mais agressivos. Déficits maiores, entre quinhentas e setecentas calorias, ainda são administráveis com atenção redobrada à ingestão proteica, mas déficits acima disso tendem a comprometer tanto a composição corporal quanto a sustentabilidade psicológica do processo.

Dessa forma, essa faixa de referência nunca é aplicada de forma genérica, mas ajustada conforme o histórico, a urgência clínica e a capacidade individual de adesão de cada paciente. De acordo com Lucas Peralles, entender que o ritmo ideal não é universal, mas sim aquele que cada pessoa consegue sustentar com segurança e consistência.

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