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Escuta da dor: Como tratar o sofrimento da terceira idade além dos sintomas?

Normalizar a dor como parte inevitável do envelhecimento é um equívoco que priva o idoso de cuidado adequado e compromete sua qualidade de vida. Yuri Silva Portela, pós-graduado em Geriatria, com ampla expertise na área e fundador do projeto social Humaniza Sertão, frisa que toda dor relatada pelo idoso merece investigação séria e tratamento adequado. A partir deste artigo, você vai entender como a dor se manifesta na terceira idade, por que ela é frequentemente subdiagnosticada e como o cuidado humanizado transforma sua abordagem. Leia com atenção!

Por que a dor do idoso é frequentemente ignorada?

A naturalização da dor na terceira idade tem raízes culturais e médicas profundas, com consequências sérias. No momento em que familiares e profissionais respondem às queixas do idoso com frases como “é normal na sua idade”, estão, na prática, negando ao paciente um cuidado que ele tem direito de receber. Entretanto, essa postura alimenta um ciclo de sofrimento silencioso que compromete a mobilidade, o sono, o humor e a adesão ao tratamento.

Segundo o doutor Yuri Silva Portela, o idoso frequentemente sub-reporta sua dor por não querer parecer fraco ou por acreditar que não há nada a ser feito. Todavia, esse comportamento, combinado com a tendência de alguns profissionais de minimizar as queixas geriátricas, resulta em subdiagnóstico que deixa milhões de idosos brasileiros sem tratamento adequado para condições que poderiam ser significativamente aliviadas com a abordagem correta.

Além do mais, a dor crônica não tratada vai muito além do desconforto físico. Visto que ela prejudica o sono, aumenta o risco de depressão, limita a mobilidade e reduz a motivação para o autocuidado. Dessa forma, tratar a dor com a seriedade que ela merece é uma intervenção com efeitos positivos que se estendem por todas as dimensões da saúde do idoso, não apenas pela dimensão física.

Como a geriatria aborda a dor de forma integral?

A abordagem geriátrica da dor vai além da prescrição de analgésicos. Isso significa que ela investiga as causas subjacentes, avalia o impacto funcional e emocional e constrói um plano terapêutico que considera todas essas dimensões. De maneira que a fisioterapia, psicologia, ajustes medicamentosos e orientações de estilo de vida são combinados de forma coordenada para oferecer o alívio mais completo e mais seguro possível para cada perfil de paciente.

De acordo com o doutor Yuri Silva Portela, fundador do projeto social Humaniza Sertão, a dimensão emocional da dor merece atenção especial no contexto geriátrico. Isto é, a dor e o sofrimento emocional se retroalimentam de formas que tornam o tratamento exclusivamente farmacológico insuficiente. Portanto, o idoso que recebe suporte psicológico adequado frequentemente relata redução na intensidade da dor percebida, pois o alívio do sofrimento emocional diminui a amplificação central do sintoma físico.

Yuri Silva Portela
Yuri Silva Portela

No Humaniza Sertão, a presença simultânea de médicos, fisioterapeutas e psicólogos permite que a dor dos idosos atendidos seja abordada de forma verdadeiramente integral durante as ações mensais. De maneira que essa integração de perspectivas produz avaliações mais completas e intervenções mais eficazes do que qualquer especialidade conseguiria oferecer isoladamente, especialmente em comunidades com acesso limitado a serviços especializados.

Como as famílias podem apoiar o idoso com dor crônica?

O suporte familiar é fundamental para o idoso que convive com dor crônica. Por isso, levar a sério suas queixas, acompanhá-lo ao médico e comunicar ao profissional de saúde mudanças no padrão da dor são contribuições que impactam diretamente a qualidade do cuidado recebido. Assim, a família que observa e relata bem torna-se uma extensão da equipe médica no cotidiano do paciente.

Conforme destaca o doutor Yuri Silva Portela, criar um ambiente doméstico que reduza os fatores que amplificam a dor, como estresse e isolamento, é uma contribuição familiar de grande valor. Bem como estimular atividades prazerosas dentro das limitações do idoso, manter uma rotina estruturada e garantir um sono de qualidade são intervenções simples que complementam o tratamento médico de forma significativa e acessível.

Ouvir a dor do idoso é o primeiro passo para aliviá-la

A dor do idoso merece ser ouvida, investigada e tratada com a mesma seriedade dedicada a qualquer outro sintoma clínico. Yuri Silva Portela conclui que todo idoso com dor merece avaliação especializada. Se o idoso que você ama relata dor com frequência, busque orientação geriátrica. Aliviar a dor é um ato de cuidado que transforma o envelhecimento de dentro para fora.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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