O empresário Felipe Rassi comenta que os FIDCs de NPL vêm chamando atenção porque reúnem dois elementos que costumam atrair investidores especializados: ativos com potencial de retorno acima da média e estruturas capazes de organizar risco, governança e circulação de crédito.
No mercado atual, o interesse por operações ligadas a ativos estressados segue presente, enquanto os FIDCs mantêm espaço relevante no crédito estruturado brasileiro. Quando a carteira é mal documentada, a cobrança é incerta ou a cadeia de titularidade apresenta ruídos, o fundo pode carregar complexidade em excesso e previsibilidade em falta.
O que são FIDCs de NPL e por que esse mercado desperta interesse?
Os FIDCs são fundos voltados à aquisição de direitos creditórios, com regras próprias de administração, segregação patrimonial e governança. Quando o foco recai sobre NPL, o centro da operação passa a ser a compra de créditos inadimplidos ou deteriorados, cuja atratividade depende menos do valor de face e mais da expectativa de recuperação. Em vez de buscar recebimento linear, o investidor entra em uma estrutura que pressupõe desconto, análise de risco e estratégia de monetização.
Na avaliação de Felipe Rassi, esse mercado desperta interesse justamente porque transforma ativos problemáticos em posições estruturadas, com critérios mais claros de seleção e acompanhamento. Para quem conhece o funcionamento da cobrança, da cessão e das garantias, o NPL pode deixar de ser apenas um passivo difícil e passar a ser um ativo com lógica econômica própria.
Quais oportunidades os FIDCs de NPL podem oferecer?
Uma das principais oportunidades está na possibilidade de adquirir carteiras com deságio relevante e estruturar a recuperação dentro de uma lógica mais institucional. Em vez de operar crédito a crédito de forma isolada, o fundo pode organizar documentação, priorizar perfis de cobrança, acompanhar desempenho e distribuir risco de maneira mais racional. Isso tende a interessar agentes que buscam escala e método na gestão de ativos estressados.

O empresário Felipe Rassi frisa que a oportunidade também aparece quando a carteira reúne créditos com boa documentação, garantias úteis ou rota de enforcement juridicamente mais clara. Nesses casos, o FIDC funciona como mecanismo de alocação que dá forma mais organizada ao risco. O problema começa quando o investidor enxerga apenas o desconto e ignora a qualidade do lastro e a real capacidade de recuperação.
Quais riscos merecem mais atenção nesse tipo de fundo?
Os riscos mais sensíveis costumam estar na exigibilidade do crédito, na fragilidade documental, na cadeia de titularidade e na baixa previsibilidade de recuperação. Em carteiras de NPL, pequenas falhas repetidas podem comprometer o fundo inteiro, porque o ruído jurídico não fica isolado em um único ativo. Além disso, o investidor precisa considerar o tempo de cobrança, o custo do enforcement e a possibilidade de litígios paralelos.
Felipe Rassi explica que esse tipo de fundo exige atenção especial à due diligence. Não basta saber que a carteira é inadimplida; é preciso entender por que ela se tornou inadimplida, quais garantias a acompanham, qual a robustez da prova e como a estrutura do fundo lidará com esses obstáculos.
O que deve ser analisado antes de investir ou estruturar um FIDC de NPL?
Antes de estruturar ou adquirir cotas de um FIDC de NPL, convém examinar a qualidade da carteira, a consistência dos documentos, os critérios de elegibilidade dos créditos e a lógica de governança da operação. Também importa avaliar quem administra, quem acompanha os ativos e quais mecanismos existem para controlar deterioração adicional da carteira.
Sob essa ótica, Felipe Rassi ressalta que o FIDC de NPL não deve ser tratado como simples embalagem financeira para ativos problemáticos. Ele só ganha consistência quando há alinhamento entre estrutura do fundo, qualidade jurídica da carteira e estratégia realista de recuperação. Quando esses elementos caminham juntos, o mercado encontra oportunidade. Quando não caminham, o desconto inicial pode esconder um ativo muito menos recuperável do que parecia.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez



