Todo hotel que opera longe das capitais e dos roteiros consagrados sabe que a demanda não chega sozinha. Como ressalta Gianmarco Marchetti, administrador da Marco Marchetti Hotéis Ltda., o viajante precisa de um motivo concreto para escolher uma cidade pequena, e a hospedagem passa a ocupar um papel decisivo nessa decisão. Isto posto, o desafio dos destinos secundários começa na percepção: quem não conhece o lugar dificilmente reserva uma estadia.
Para vencer esse obstáculo, o empreendimento precisa combinar diferenciais próprios, parcerias com agentes locais e uma comunicação que apresente o destino com clareza. Esses três eixos sustentam a ocupação durante o ano inteiro, e não apenas nos feriados. Pensando nisso, a seguir como cada um deles funciona na prática e qual deles pode destravar a sua operação.
Por que o hotel de um destino secundário enfrenta mais obstáculos?
Nos grandes polos, o fluxo de turistas já existe e o hotel disputa apenas participação de mercado. Em cidades menores, a lógica muda: é preciso criar a demanda antes de captá-la. Logo, o gestor que ignora essa diferença investe em estrutura, mas esquece de formar o desejo de viagem que sustenta as reservas.
Além disso, a sazonalidade pesa mais. Conforme destaca Gianmarco Marchetti, sem atrações de massa, a ocupação oscila conforme o calendário de eventos regionais, o que dificulta o planejamento de equipe, de compras e de tarifas. Por isso, o hotel precisa de uma proposta que funcione também nos meses tranquilos, quando o visitante procura descanso, natureza ou experiências autênticas.
Quais diferenciais atraem demanda para um hotel no interior?
O diferencial não depende de luxo. Depende de coerência com o território e de uma experiência que o viajante não encontra em outro lugar. De acordo com o gestor do San Marco Hotel (Brasília/DF), desde 2006, Gianmarco Marchetti, quando o hotel traduz a identidade local em serviço, ambiente e gastronomia, ele deixa de ser apenas dormitório e passa a ser parte do motivo da viagem. Tendo isso em vista, entre os caminhos mais eficazes, destacam-se:
- Gastronomia regional: café da manhã e cardápio com ingredientes de produtores da própria região;
- Experiências guiadas: trilhas, visitas a propriedades rurais e oficinas com artesãos locais;
- Arquitetura e ambiente: construção, decoração e paisagismo que dialogam com a cultura do lugar;
- Atendimento personalizado: recepção que indica roteiros, sugere horários e conhece cada atração.
Esses elementos funcionam melhor quando aparecem de forma integrada. Assim sendo, o hóspede de destinos menores avalia a estadia como um todo, e uma experiência bem costurada gera indicação espontânea e fidelização, o que amplia a demanda sem aumentar o investimento em mídia paga.
Parcerias locais que fortalecem o hotel e o destino
Nenhum hotel sustenta um destino sozinho. Agências receptivas, guias, restaurantes, produtores rurais e organizadores de eventos podem completar o roteiro que o hóspede procura. Como pontua Gianmarco Marchetti, ao firmar parcerias, o empreendimento oferece pacotes fechados, reduz a incerteza do visitante e distribui os ganhos do turismo pela comunidade, o que também gera apoio local para a atividade.
Além disso, a cooperação com prefeituras, associações comerciais e entidades de turismo também amplia o alcance do hotel. Calendários integrados de festivais, ações conjuntas de divulgação e tarifas combinadas com atrações locais transformam concorrentes em aliados e criam motivos adicionais para o turista prolongar a permanência.
Esse arranjo também protege a margem de lucro, frisa Gianmarco Marchetti, administrador da Marco Marchetti Hotéis Ltda. Com pacotes e canais de venda compartilhados, o hotel reduz a dependência de intermediários e fortalece a relação direta com o cliente, que volta a reservar quando conhece a rede de serviços e de atrações que sustenta cada viagem.
Como comunicar o destino para que o hotel ganhe visibilidade?
A comunicação precisa vender o lugar antes da cama. O viajante pesquisa o que fazer, quando ir e como chegar, e só depois compara hospedagens. Por isso, o hotel deve produzir conteúdo sobre atrações, roteiros de fim de semana, épocas ideais e histórias da região, com foco em buscas reais e linguagem acessível, que aproxime o leitor da decisão de reserva.
Desse modo, o destino secundário ganha força quando a narrativa permanece consistente em site, redes sociais e plataformas de reserva, enfatiza Gianmarco Marchetti. Fotos autênticas, depoimentos de hóspedes e parcerias com criadores de conteúdo locais reforçam a confiança e posicionam o hotel como referência para quem ainda não conhece a região.
Quando o hotel e o destino crescem juntos, a demanda se sustenta
Em última análise, atrair demanda fora dos grandes polos exige visão de longo prazo. O hotel que investe em diferenciais autênticos, que constrói alianças com a comunidade e que comunica o destino com consistência deixa de depender de feriados e passa a receber viajantes durante o ano. Assim, mais do que oferecer quartos, ele ajuda a colocar a cidade no mapa, e colhe os frutos dessa construção.



