O CEO da André Guimarães Engenharia e Infraestrutura, Elmar Juan Passos Varjão Bomfim, observa que a transformação digital tem ocupado espaço crescente nas discussões sobre o futuro da construção civil. Ferramentas baseadas em inteligência artificial, automação, análise de dados e modelagem digital passaram a integrar o cotidiano de empresas que buscam aumentar a eficiência e reduzir desperdícios. No entanto, uma questão tem ganhado relevância entre gestores e especialistas: a tecnologia, por si só, será suficiente para transformar o setor?
Entender essa evolução ajuda a compreender os rumos que a construção civil deve seguir nos próximos anos.
A tecnologia está resolvendo os principais desafios do setor?
De acordo com Elmar Juan Passos Varjão Bomfim, a digitalização trouxe avanços significativos para a engenharia e para a construção civil. Ferramentas capazes de integrar projetos, monitorar cronogramas e acompanhar indicadores em tempo real aumentaram a visibilidade sobre os empreendimentos e reduziram a ocorrência de falhas operacionais. Processos que antes dependiam exclusivamente de controles manuais passaram a contar com sistemas mais precisos e conectados.
Ao mesmo tempo, o setor ainda enfrenta obstáculos que não podem ser solucionados apenas por meio da tecnologia. Questões relacionadas à gestão de equipes, planejamento inadequado, comunicação ineficiente e dificuldades na coordenação de projetos continuam impactando o desempenho de muitas organizações. Em diversos casos, a tecnologia apenas evidencia problemas estruturais já existentes.
Esse cenário mostra que a inovação digital funciona como uma ferramenta de potencialização. Quando aplicada em ambientes organizados e estrategicamente estruturados, seus benefícios tendem a ser amplificados. Em operações que apresentam fragilidades de gestão, entretanto, os resultados podem ficar abaixo das expectativas inicialmente projetadas.
Por que a estratégia ganhou protagonismo na construção civil?
A crescente complexidade dos empreendimentos elevou a importância da tomada de decisões baseada em planejamento. Obras modernas exigem integração entre diversas disciplinas, controle rigoroso de recursos e capacidade de adaptação diante de cenários cada vez mais dinâmicos. Nesse ambiente, decisões estratégicas passaram a exercer influência direta sobre produtividade e competitividade. A antecipação de desafios, a definição clara de objetivos e o alinhamento entre as diferentes áreas envolvidas tornaram-se fatores essenciais para garantir eficiência e previsibilidade ao longo de todo o projeto.

Conforme informa Elmar Juan Passos Varjão Bomfim, a busca por eficiência também ampliou o foco na gestão de longo prazo. Empresas que antes concentravam esforços apenas na execução passaram a investir mais na análise de riscos, no desenvolvimento de processos e na criação de modelos operacionais capazes de sustentar resultados consistentes ao longo do tempo. Essa mudança reflete uma visão mais abrangente do negócio. Ao considerar não apenas a entrega da obra, mas também sua sustentabilidade operacional e financeira, as organizações fortalecem sua capacidade de crescimento e adaptação em um mercado cada vez mais competitivo.
Como será o equilíbrio entre inovação e gestão nos próximos anos?
As tendências observadas indicam que o futuro da construção civil não será definido por uma disputa entre tecnologia e estratégia. Pelo contrário, os melhores resultados tendem a surgir justamente da combinação entre esses dois elementos. Organizações capazes de integrar inovação digital a modelos sólidos de gestão terão maiores condições de enfrentar os desafios do mercado.
A inteligência artificial, por exemplo, deverá ampliar sua presença em atividades relacionadas à análise de dados, previsão de cenários e otimização de processos. Contudo, como ressalta Elmar Juan Passos Varjão Bomfim, a interpretação dessas informações continuará dependendo de profissionais preparados para transformar conhecimento técnico em decisões alinhadas aos objetivos dos empreendimentos.
Da mesma forma, a expansão de tecnologias emergentes exigirá novos níveis de capacitação, liderança e governança. O diferencial competitivo não estará apenas na aquisição de ferramentas avançadas, mas na habilidade de utilizá-las para criar operações mais eficientes, resilientes e adaptáveis às transformações do ambiente econômico.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez



